Acabo de voltar do Projac e vejo o blog bombando de acessos! É impressionante o universo que atinge um programa como o Mais Você, acostumado com grandes índices de audiência em seu horário. O tema discutido na atração comandada por Ana Maria Braga, da qual fui convidado, foi muito interessante. A idéia que tentaram passar foi algo que, certamente, alguém já se perguntou um dia, após um atendimento de má qualidade: como amar um operador de telemarketing?
Falou-se, principalmente, sobre a pressão que esse tipo de profissional sofre, o que só reiterou o que venho escrevendo neste espaço desde junho do ano passado.
Pois a palavra meta, abordada em uma das matérias exibidas pelo programa, certamente é um fantasma para qualquer atendente, principalmente para os que fazem o telemarketing ativo.
Um exemplo do tipo de trabalho que os operadores de telemarketing precisam fazer - sempre pressionados por metas e supervisores carrascos em seu cangotes - foi vivido por minha mãe, no último dia 12 de março, data de aniversário de meu querido e muito saudoso pai, falecido em junho de 2007:
- Boa tarde, eu gostaria de falar com o senhor Sérgio?
Sem imaginar quem poderia ser, minha mãe perguntou:
- Quem gostaria de falar com ele?
- É particular, senhora.
- Mas eu sou esposa dele. Quem é você?
- Tudo bem, senhora, mas precisamos falar com ele. Somos do jornal que ele assina e gostaríamos de parabenizá-lo por seu aniversário.
Constrangida, e querendo evitar uma saia-justa para a pobre atendente, minha mãe tentou encerrar o assunto respondendo:
- Pode deixar que eu passo o recado.
- Mas, senhora, eu preciso falar diretamente com ele.
- Minha filha, pode deixar que eu passo o recado.
- Senhora, por favor, a senhora poderia estar passando o telefone para o senhor Sérgio, ou me informando qual seria o melhor horário para estarmos falando com ele?
Foi a hora em que minha mãe desistiu de poupar a menina:
- Olha, eu queria evitar que você passasse por esse constrangimento, mas, diante de sua insistência, preciso te informar que meu marido morreu há quase dois anos.
Após um breve silêncio do outro lado da linha, a atendente, certamente tomada de vergonha, apenas se despediu:
- Ok, senhora. Me desculpe. Tenha uma boa tarde.
Aliás, mais para frente, prometo contar uma história vivida também por minha mãe, que sofreu uma perseguição absurdamente implacável, feita por uma empresa de cobrança de cartão de crédito após o falecimento de meu pai. Tudo porque ele havia deixado de pagar a fatura do cartão, que venceu no dia em que ele enfartou.
Falou-se, principalmente, sobre a pressão que esse tipo de profissional sofre, o que só reiterou o que venho escrevendo neste espaço desde junho do ano passado.
Pois a palavra meta, abordada em uma das matérias exibidas pelo programa, certamente é um fantasma para qualquer atendente, principalmente para os que fazem o telemarketing ativo.
Um exemplo do tipo de trabalho que os operadores de telemarketing precisam fazer - sempre pressionados por metas e supervisores carrascos em seu cangotes - foi vivido por minha mãe, no último dia 12 de março, data de aniversário de meu querido e muito saudoso pai, falecido em junho de 2007:
- Boa tarde, eu gostaria de falar com o senhor Sérgio?
Sem imaginar quem poderia ser, minha mãe perguntou:
- Quem gostaria de falar com ele?
- É particular, senhora.
- Mas eu sou esposa dele. Quem é você?
- Tudo bem, senhora, mas precisamos falar com ele. Somos do jornal que ele assina e gostaríamos de parabenizá-lo por seu aniversário.
Constrangida, e querendo evitar uma saia-justa para a pobre atendente, minha mãe tentou encerrar o assunto respondendo:
- Pode deixar que eu passo o recado.
- Mas, senhora, eu preciso falar diretamente com ele.
- Minha filha, pode deixar que eu passo o recado.
- Senhora, por favor, a senhora poderia estar passando o telefone para o senhor Sérgio, ou me informando qual seria o melhor horário para estarmos falando com ele?
Foi a hora em que minha mãe desistiu de poupar a menina:
- Olha, eu queria evitar que você passasse por esse constrangimento, mas, diante de sua insistência, preciso te informar que meu marido morreu há quase dois anos.
Após um breve silêncio do outro lado da linha, a atendente, certamente tomada de vergonha, apenas se despediu:
- Ok, senhora. Me desculpe. Tenha uma boa tarde.
Aliás, mais para frente, prometo contar uma história vivida também por minha mãe, que sofreu uma perseguição absurdamente implacável, feita por uma empresa de cobrança de cartão de crédito após o falecimento de meu pai. Tudo porque ele havia deixado de pagar a fatura do cartão, que venceu no dia em que ele enfartou.
13 comentários:
Eu assisti a materia no programa, e achei muito criativo seu blog...parabens pela iniciativa!!!
oown!
que situação :S
Já passei por isso aqui em casa, mas foi com a minha avó. e no caso ela havia feito o pagamento, até...
=x
Achei muito legal ser esse o tema do programa hoje.
bem bacana!
:)
ah, tenho um blog também, se der passa lá
http://theatrodepalavras.blogspot.com
Ola
vi a materia hj no mais voce
seu blog ta demais
realmenti eles sofrem,mais as vezes torram a paciencia
tenho adimiração por quem trabalha nessa area,mais sinceramenti não gostaria de ser eu no lugar de nenhum deles.Outa vez meus parabens e que Deus continue te abençoando
bju
OLá Raphael,
Te vi hoje na Globo, parabéns! Seu blog é bem interessante. O tema é muito rico e pode ser muito explorado. Quem nunca foi mal atendido? Há um ano tive minha linha do Livre da Embratel clonado. Me cortaram a linha e demorei 2 meses pra conseguir uma outra, foram mais de 15 horas, ao todo no serviço de telemarketing. O atendimento você já imagina.
Abraço e boa sorte! Te escrevi um mail.
Té mais.
Puts, Raphael!
Eu comecei a ver a reportagem, mas precisava ir trabalhar...
Luiz Mello disse :
Excelente a matéria, porém ficou uma dúvida.Num momento da entrevista ao rapaz operador de telemarketing o mesmo deixou escapar o uso de uma tal "TECLA BOOT" quando a situação se torna estressante com os clientes,e estranhamente todos riram e nao se comentou sobre o uso dessa tal "TECLA BOOT", seria essa tecla o instrumento usado pelos operadores que levam a DOLOSAMENTE cair a ligação ?
por favor Raphael comente sobre isso
Saudaçoes
olá gostaria de explicar a palavra boot, na verdade a palavra usada foi mute.. é quando os operadores de telemarketing acionam a tecla mute para que os clientes não escutem o xingamento dos operadores. Adorei a matéria..já fui operadora de telemarketing na empresa que o henio trabalha e hoje graças a Deus passei em um concurso e não preciso mais perturbar os outros rsrs parabéns pelo blog
Prezada anônima, obrigado por responder sobre a tecla mute. Luiz, é exatamente isso que nossa anônima ex-operadora de telemarketing respondeu, aqui em cima.
Mto bacana msmo o seu blog. Parabéns. Tb tomei conhecimento por meio do programa da Ana Maria Braga ( não consegui assistir a matéria toda mas tive a curiosidade de conhecer o seu blog e gostei).
O pior dos atendentes de telemarketing é qdo eles substimam o consumidor né ... achando que ngm entende nada sobre direitos e deveres. Fala sériooooooooo. Daí perdem a educação e consequentemente, a razão.
Ih já cansei de contar as vezes q isso aconteceu cmg. Teve um colega q ligou, falaram q o titular tinha morrido, aí como a gnt fica tão empolgado com script, ainda saiu com essa " tem algum telefone que eu posso falar diretamente com ele?" todo mundo rachou o bico...
Ah desde já fica explicado que não tem como desligar a ligação(pelo menos na empresa aonde eu trabalho) a não ser quando a gnt liga para o cliente. Muitas vezes tenho q pedir pro cliente desligar pois o botão fica desabilitado quando recebo ligações...
Dani, isso é uma prova do absurdo a que nós, consumidores, somos submetidos.
Operadores e consumidores, ambos somos uns coitados!
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