Todo operador de telemarketing que se preze é fiel a uma indiscutível entidade: o "Sistema".
Enquanto o "Deus" seguido pelos cristãos não pode ter seu santo nome pronunciado em vão, o "Sistema", suprema divindade protetora dos call centers, pode e deve ser sempre evocado. Este, inclusive, deve ser o primeiro mandamento dos atendentes.
Um, segundo crenças, teria criado o mundo em sete dias. O outro tem possibilidades técnicas para instaurar o caos em poucos segundos. Se um deles ainda não tem sua existência comprovada pela ciência, o outro é um produto papável, fruto dos avanços tecnológicos da humanidade.
Um é hipótese, existe para aqueles que nele acreditam. O outro é fato.
Os cristãos servem a "Deus", que, como se diz por aí, escreve certo por linhas tortas. O "Sistema", por sua vez, foi criado para servir ao homem, escrevendo certo em códigos binários retos.
"Deus" é impiedoso. Da mesma forma que, na crença de muitos, concede uma graça, também castiga. É uma entidade dúbia. Já o "Sistema" é pragmático. Processa tudo o que o homem precisa, de acordo com suas necessidades. Não comanda. É comandado. Não erra. Mas é facilmente levado ao erro.
Viver sem "Deus" é fácil. Basta não acreditar nele. Os ateus estão aí para provar. Viver sem o "Sistema", hoje em dia, já tornou-se impossível, principalmente para os call centers.
Quando o "Sistema" falha, nem "Deus" ajuda. Mesmo que o operador de telemarketing seja cristão fervoroso. No caso dos atendentes, inclusive, muitas vezes a falha nem é do "Sistema", mas, ele leva a culpa, assim mesmo.
E é na culpa que consiste outra grande diferença entre "Deus" e o "Sistema".
O primeiro, de caráter opressor, não é responsabilizado por nada. Pelo contrário. Os fiéis confessam suas próprias culpas e erros, para depois se penitenciarem e receberem o perdão divino. O "Sistema", coitado, não tem o amor e a fidelidade daqueles que o evocam. É, para o operador de telemarketing, a síntese do subterfúgio. Tudo é culpa dele. Com isso, ao contrário de "Deus", acaba livrando, de graça, a cara de seus fiéis.
"Deus" é valorizado pelos que nele acreditam. Já os atendentes, fiéis ao "Sistema", apenas usam e abusam de sua entidade suprema e acabam passando para nós, que somos atendidos, a impressão de que o "Sistema", na verdade, é mais poderoso que "Deus".
Enquanto o "Deus" seguido pelos cristãos não pode ter seu santo nome pronunciado em vão, o "Sistema", suprema divindade protetora dos call centers, pode e deve ser sempre evocado. Este, inclusive, deve ser o primeiro mandamento dos atendentes.
Um, segundo crenças, teria criado o mundo em sete dias. O outro tem possibilidades técnicas para instaurar o caos em poucos segundos. Se um deles ainda não tem sua existência comprovada pela ciência, o outro é um produto papável, fruto dos avanços tecnológicos da humanidade.
Um é hipótese, existe para aqueles que nele acreditam. O outro é fato.
Os cristãos servem a "Deus", que, como se diz por aí, escreve certo por linhas tortas. O "Sistema", por sua vez, foi criado para servir ao homem, escrevendo certo em códigos binários retos.
"Deus" é impiedoso. Da mesma forma que, na crença de muitos, concede uma graça, também castiga. É uma entidade dúbia. Já o "Sistema" é pragmático. Processa tudo o que o homem precisa, de acordo com suas necessidades. Não comanda. É comandado. Não erra. Mas é facilmente levado ao erro.
Viver sem "Deus" é fácil. Basta não acreditar nele. Os ateus estão aí para provar. Viver sem o "Sistema", hoje em dia, já tornou-se impossível, principalmente para os call centers.
Quando o "Sistema" falha, nem "Deus" ajuda. Mesmo que o operador de telemarketing seja cristão fervoroso. No caso dos atendentes, inclusive, muitas vezes a falha nem é do "Sistema", mas, ele leva a culpa, assim mesmo.
E é na culpa que consiste outra grande diferença entre "Deus" e o "Sistema".
O primeiro, de caráter opressor, não é responsabilizado por nada. Pelo contrário. Os fiéis confessam suas próprias culpas e erros, para depois se penitenciarem e receberem o perdão divino. O "Sistema", coitado, não tem o amor e a fidelidade daqueles que o evocam. É, para o operador de telemarketing, a síntese do subterfúgio. Tudo é culpa dele. Com isso, ao contrário de "Deus", acaba livrando, de graça, a cara de seus fiéis.
"Deus" é valorizado pelos que nele acreditam. Já os atendentes, fiéis ao "Sistema", apenas usam e abusam de sua entidade suprema e acabam passando para nós, que somos atendidos, a impressão de que o "Sistema", na verdade, é mais poderoso que "Deus".
3 comentários:
Pra varir, ótimo texto!
Beijos!
Espero que um dia vc conheça um call center hehehehehehehe
hhahahahahaha! moro fora do BR ha mais de 20 anos, mas ainda lembro qdo ia ao banco, apos filas enoooorrrrrrrrmes, e quase duas hrs de espera, chegar ao "caixa" e ouvir algo como: "Ahh! Hoje nao vai dar, o "Sistema" caiu. "
hahahahaa.. .que engracado!!!!!(tragico tb)
Abs e parabens
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