Nada melhor para um banco que ter um correntista endividado e pagando juros em cima de juros. É dinheiro fácil, que leva algumas dessas entidades, especialmente as privadas, a recordes atrás de recordes de lucros astronômicos que, dificilmente, ficam abaixo da casa dos bilhões. Pois meu semixará Rafael, coitado, devia apenas R$ 300 para um banco "único" - ou vice-versa. E me mandou um e-mail para contar que esteve se irritando. E muito!
Rafael vive aquela vida dos que ganham bolsa-auxílio. Está acostumado a viver sempre duro. Mas, como os operadores de telemarketing não diferenciam estagiário de Presidente da República, o jovem começou a sofrer seriamente com as cobranças:
- Senhor, estivemos verificando que há um débito de trezentos reais em seu nome. Há previsões de quando o senhor estará efetuando o pagamento?
O estudante/estagiário, então, pensou em algumas respostas diferentes: "Difícil, meu caro. Sou aluno de uma faculdade de jornalismo e não da Mãe Dinah! Como eu vou prever o meu futuro?" ou "Olha, segundo a minha bola de cristal, daqui a um mês eu ganharei na Mega-Sena. Eu não só vou pagar essa porcaria de dívida como vou comprar esse banco e te mandar embora!".
Mas, como de forma alguma seria grosso com um profissional que, no fim das contas, deve ganhar pouco mais que ele, respirou fundo e respondeu:
- Meu caro, dentro de dois meses eu pagarei essa dívida, ok?
Mas o operador insistiu:
- Mas, senhor, neste caso, o senhor estará tendo juros e a sua dívida irá aumentar. Não deseja fazer um parcelamento?
Mais uma vez, Rafael respirou fundo, enquanto pensava: "Meu amigo, surpresa seria se o banco congelasse a minha dívida. Eu sei que haverá juros. E que se dane! Eu pago essa porcaria com juros!". Mas ele achou melhor contemporizar:
- E como faço o parcelamento?
O atendente disse que Rafael deveria "estar se encaminhando" até sua agência, que, por sinal, fica do outro lado da Ponte.
E lá foi o bravo estagiário. Após a viagem e uma longa espera no banco, consegui fazer o tal parcelamento. E, como havia se mudado de Niterói para o Rio de Janeiro, aproveitou a presença na agência em sua antiga cidade para solicitar a troca de seu endereço, para que o boleto chegasse no local correto. Pois Rafael conta que ficou "muito surpreso", porque, logo no primeiro mês o boleto não chegou (Nota do blogueiro: "Inocente! Você não imaginava, meu caro?").
Quatro dias depois do vencimento, um novo operador liga:
- Senhor Rafael?
- Sim.
- Aqui quem fala é Claudiomar Fernando. Tudo bem?
- Até agora, sim - respondeu Rafael, já sem paciência.
- Estive verificando que o senhor não efetuou o...
E Rafael, subindo o tom da voz, já cortou o atendente e soltou cobras e lagartos:
- Claudiomar Fernando, eu não paguei por que a m... do boleto não chegou na p... do meu novo endereço!
Educadamente, o atendente respondeu:
- Então, senhor Rafael, eu estarei lhe passandodando um número de um protocolo. Com esse número, o senhor estará se encaminhando até uma agência do banco e não pagará juros, ok?
- Ok.
Pois é isso mesmo que vocês estão imaginando, caros leitores. Novamente, o boleto não chegou. E numa bela noite, por volta de 21h, Rafael voltava para casa. O ônibus tinha todos os assentos ocupados, mas com pessoas cansadas de uma jornada longa de trabalho. O toque do celular do estagiário toca e quebra o silêncio da viagem. Era Dulcimar Fernando, do banco:
- Senhor Rafael, estivemos verificando que o senhor não pagou os últimos boletos do parcelamento de sua dívida.
E o estagiário, tentando manter a discrição, respondeu baixinho:
- Eu sei que não paguei. Só que, mais uma vez, o boleto não chegou em minha residência.
- Desculpe, senhor, pode falar um pouco mais alto?
Rafael suspira e aumenta um pouco mais o volume da voz, ainda mantendo a educação. Mas Dulcimar Fernando não ouvia.
Já explodindo de raiva, Rafael resolveu "assumir aquilo que todos no ônibus já desconfiavam": que aquele jovem tentando sussurrar ao celular era, segundo suas próprias palavras, "um belo de um devedor, que fica dando desculpas para não pagar a dívida no banco".
E após muito gritar no telefone, Rafael sequer conseguiu pegar o número do protocolo da ligação, pois o atendente já havia desligado. Para completar, terminou sua viagem com duas senhoras fofoqueiras ao seu lado contando suas histórias de dívidas intermináveis com bancos.
Rafael vive aquela vida dos que ganham bolsa-auxílio. Está acostumado a viver sempre duro. Mas, como os operadores de telemarketing não diferenciam estagiário de Presidente da República, o jovem começou a sofrer seriamente com as cobranças:
- Senhor, estivemos verificando que há um débito de trezentos reais em seu nome. Há previsões de quando o senhor estará efetuando o pagamento?
O estudante/estagiário, então, pensou em algumas respostas diferentes: "Difícil, meu caro. Sou aluno de uma faculdade de jornalismo e não da Mãe Dinah! Como eu vou prever o meu futuro?" ou "Olha, segundo a minha bola de cristal, daqui a um mês eu ganharei na Mega-Sena. Eu não só vou pagar essa porcaria de dívida como vou comprar esse banco e te mandar embora!".
Mas, como de forma alguma seria grosso com um profissional que, no fim das contas, deve ganhar pouco mais que ele, respirou fundo e respondeu:
- Meu caro, dentro de dois meses eu pagarei essa dívida, ok?
Mas o operador insistiu:
- Mas, senhor, neste caso, o senhor estará tendo juros e a sua dívida irá aumentar. Não deseja fazer um parcelamento?
Mais uma vez, Rafael respirou fundo, enquanto pensava: "Meu amigo, surpresa seria se o banco congelasse a minha dívida. Eu sei que haverá juros. E que se dane! Eu pago essa porcaria com juros!". Mas ele achou melhor contemporizar:
- E como faço o parcelamento?
O atendente disse que Rafael deveria "estar se encaminhando" até sua agência, que, por sinal, fica do outro lado da Ponte.
E lá foi o bravo estagiário. Após a viagem e uma longa espera no banco, consegui fazer o tal parcelamento. E, como havia se mudado de Niterói para o Rio de Janeiro, aproveitou a presença na agência em sua antiga cidade para solicitar a troca de seu endereço, para que o boleto chegasse no local correto. Pois Rafael conta que ficou "muito surpreso", porque, logo no primeiro mês o boleto não chegou (Nota do blogueiro: "Inocente! Você não imaginava, meu caro?").
Quatro dias depois do vencimento, um novo operador liga:
- Senhor Rafael?
- Sim.
- Aqui quem fala é Claudiomar Fernando. Tudo bem?
- Até agora, sim - respondeu Rafael, já sem paciência.
- Estive verificando que o senhor não efetuou o...
E Rafael, subindo o tom da voz, já cortou o atendente e soltou cobras e lagartos:
- Claudiomar Fernando, eu não paguei por que a m... do boleto não chegou na p... do meu novo endereço!
Educadamente, o atendente respondeu:
- Então, senhor Rafael, eu estarei lhe passandodando um número de um protocolo. Com esse número, o senhor estará se encaminhando até uma agência do banco e não pagará juros, ok?
- Ok.
Pois é isso mesmo que vocês estão imaginando, caros leitores. Novamente, o boleto não chegou. E numa bela noite, por volta de 21h, Rafael voltava para casa. O ônibus tinha todos os assentos ocupados, mas com pessoas cansadas de uma jornada longa de trabalho. O toque do celular do estagiário toca e quebra o silêncio da viagem. Era Dulcimar Fernando, do banco:
- Senhor Rafael, estivemos verificando que o senhor não pagou os últimos boletos do parcelamento de sua dívida.
E o estagiário, tentando manter a discrição, respondeu baixinho:
- Eu sei que não paguei. Só que, mais uma vez, o boleto não chegou em minha residência.
- Desculpe, senhor, pode falar um pouco mais alto?
Rafael suspira e aumenta um pouco mais o volume da voz, ainda mantendo a educação. Mas Dulcimar Fernando não ouvia.
Já explodindo de raiva, Rafael resolveu "assumir aquilo que todos no ônibus já desconfiavam": que aquele jovem tentando sussurrar ao celular era, segundo suas próprias palavras, "um belo de um devedor, que fica dando desculpas para não pagar a dívida no banco".
E após muito gritar no telefone, Rafael sequer conseguiu pegar o número do protocolo da ligação, pois o atendente já havia desligado. Para completar, terminou sua viagem com duas senhoras fofoqueiras ao seu lado contando suas histórias de dívidas intermináveis com bancos.
1 comentários:
Pior que isto, só mesmo o mesmo "banco 'único' - ou vice-versa", descumprir descaradamente um contrato, no que diz respeito a tarifa de mensalidade, te cobrando uma tarifa indevida por 2 meses e estornando errado uma delas. "Nem Parece Banco" é frase de duplo sentido!
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