segunda-feira, 7 de julho de 2008

Estarei devendo, mas não estarei negando...

Nada melhor para um banco que ter um correntista endividado e pagando juros em cima de juros. É dinheiro fácil, que leva algumas dessas entidades, especialmente as privadas, a recordes atrás de recordes de lucros astronômicos que, dificilmente, ficam abaixo da casa dos bilhões. Pois meu semixará Rafael, coitado, devia apenas R$ 300 para um banco "único" - ou vice-versa. E me mandou um e-mail para contar que esteve se irritando. E muito!

Rafael vive aquela vida dos que ganham bolsa-auxílio. Está acostumado a viver sempre duro. Mas, como os operadores de telemarketing não diferenciam estagiário de Presidente da República, o jovem começou a sofrer seriamente com as cobranças:

- Senhor, estivemos verificando que há um débito de trezentos reais em seu nome. Há previsões de quando o senhor estará efetuando o pagamento?

O estudante/estagiário, então, pensou em algumas respostas diferentes: "Difícil, meu caro. Sou aluno de uma faculdade de jornalismo e não da Mãe Dinah! Como eu vou prever o meu futuro?" ou "Olha, segundo a minha bola de cristal, daqui a um mês eu ganharei na Mega-Sena. Eu não só vou pagar essa porcaria de dívida como vou comprar esse banco e te mandar embora!".

Mas, como de forma alguma seria grosso com um profissional que, no fim das contas, deve ganhar pouco mais que ele, respirou fundo e respondeu:

- Meu caro, dentro de dois meses eu pagarei essa dívida, ok?

Mas o operador insistiu:

- Mas, senhor, neste caso, o senhor estará tendo juros e a sua dívida irá aumentar. Não deseja fazer um parcelamento?

Mais uma vez, Rafael respirou fundo, enquanto pensava: "Meu amigo, surpresa seria se o banco congelasse a minha dívida. Eu sei que haverá juros. E que se dane! Eu pago essa porcaria com juros!". Mas ele achou melhor contemporizar:

- E como faço o parcelamento?

O atendente disse que Rafael deveria "estar se encaminhando" até sua agência, que, por sinal, fica do outro lado da Ponte.

E lá foi o bravo estagiário. Após a viagem e uma longa espera no banco, consegui fazer o tal parcelamento. E, como havia se mudado de Niterói para o Rio de Janeiro, aproveitou a presença na agência em sua antiga cidade para solicitar a troca de seu endereço, para que o boleto chegasse no local correto. Pois Rafael conta que ficou "muito surpreso", porque, logo no primeiro mês o boleto não chegou (Nota do blogueiro: "Inocente! Você não imaginava, meu caro?").

Quatro dias depois do vencimento, um novo operador liga:

- Senhor Rafael?
- Sim.
- Aqui quem fala é Claudiomar Fernando. Tudo bem?
- Até agora, sim - respondeu Rafael, já sem paciência.
- Estive verificando que o senhor não efetuou o...


E Rafael, subindo o tom da voz, já cortou o atendente e soltou cobras e lagartos:

- Claudiomar Fernando, eu não paguei por que a m... do boleto não chegou na p... do meu novo endereço!

Educadamente, o atendente respondeu:

- Então, senhor Rafael, eu estarei lhe passandodando um número de um protocolo. Com esse número, o senhor estará se encaminhando até uma agência do banco e não pagará juros, ok?
- Ok.


Pois é isso mesmo que vocês estão imaginando, caros leitores. Novamente, o boleto não chegou. E numa bela noite, por volta de 21h, Rafael voltava para casa. O ônibus tinha todos os assentos ocupados, mas com pessoas cansadas de uma jornada longa de trabalho. O toque do celular do estagiário toca e quebra o silêncio da viagem. Era Dulcimar Fernando, do banco:

- Senhor Rafael, estivemos verificando que o senhor não pagou os últimos boletos do parcelamento de sua dívida.

E o estagiário, tentando manter a discrição, respondeu baixinho:

- Eu sei que não paguei. Só que, mais uma vez, o boleto não chegou em minha residência.
- Desculpe, senhor, pode falar um pouco mais alto?


Rafael suspira e aumenta um pouco mais o volume da voz, ainda mantendo a educação. Mas Dulcimar Fernando não ouvia.

Já explodindo de raiva, Rafael resolveu "assumir aquilo que todos no ônibus já desconfiavam": que aquele jovem tentando sussurrar ao celular era, segundo suas próprias palavras, "um belo de um devedor, que fica dando desculpas para não pagar a dívida no banco".

E após muito gritar no telefone, Rafael sequer conseguiu pegar o número do protocolo da ligação, pois o atendente já havia desligado. Para completar, terminou sua viagem com duas senhoras fofoqueiras ao seu lado contando suas histórias de dívidas intermináveis com bancos.

1 comentários:

Anônimo disse...

Pior que isto, só mesmo o mesmo "banco 'único' - ou vice-versa", descumprir descaradamente um contrato, no que diz respeito a tarifa de mensalidade, te cobrando uma tarifa indevida por 2 meses e estornando errado uma delas. "Nem Parece Banco" é frase de duplo sentido!