sexta-feira, 4 de julho de 2008

Estaremos comemorando?

Se há motivos para comemorar eu não sei. Mas, para os que não sabem, hoje é o Dia do Operador de Telemarketing. Nós, consumidores irritados, certamente, não temos nada a celebrar. Eles, operadores, acredito que muito menos.

Desde que este blog entrou no ar, há pouco mais de duas semanas, o retorno por parte dos profissionais dessa área tem sido muito bom. Todos contam histórias e entram no clima bem-humorado dos posts. Mas, principalmente, reclamam da profissão.

De acordo com dados referentes a 2006, divulgados pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, mais de 284 mil pessoas trabalham na área, tanto no ativo quanto no receptivo. Deste total, mais de 77 mil são jovens entre 16 e 24 anos, o que confirma a fama do setor de ótima porta de entrada no mercado de trabalho.

A primeira experiência num emprego, ainda jovem, no entanto, pode ser traumatizante. Segundo os mesmos dados do Ministério do Trabalho e Emprego, os postos de trabalho diminuem à proporção em que faixa etária aumenta: de 25 a 29 anos (29.178 postos), 30 a 39 (20.038 vagas), 40 a 49 (6.690 empregos) e 50 a 64 (com 1.197 trabalhadores). Sintomático, não?

Ninguém aguenta trabalhar com isso por muito tempo. Tem a ver com falta de treinamento; baixíssimos salários; jornada de segunda a sábado - e, as vezes, alguns domingos -; pressão de supervisores carrascos, que, por sua vez, apenas despejam a pressão que sofrem de cima, pelo cumprimento de metas. Enfim, é trabalho digno de ganhar insalubridade.

E nós, consumidores, sofremos as consequências. Lidamos com pessoas que, protegidas pela distância instransponível imposta pelo telefone, abusam do direito de falarem conosco como robôs, não por culpa delas, mas por obrigação do ofício.

De qualquer forma, parabéns a vocês, caros operadores de telemarketing. Apesar de não serem tratados como tal - por seus superiores e também pelos consumidores -, vocês são seres humanos. Parabéns não pelo dia de hoje, mas pela dura batalha que enfrentam todos os dias.

1 comentários:

Nina Lofrese disse...

Raphael, encontrei a indicação do seu blog no post do Bruno no C-se. É muito legal ver essa irreverência em relação à profissão que tanto nos irrita mas que, infelizmente, é necessária.
Com mais tempo, mandarei alguns causos, pois toda vez que ligo para algum lugar é aquele inferno pra falar com atendente...
Parabéns, já entrou nos meus favoritos.