Minha amiga e coleguinha de profissão Thatiana é uma mulher do povo, gosta muito de lidar com gente. Tem um coração enorme e realiza, inclusive, trabalhos muito bacanas, como dar aulas de redação em comunidades carentes. E para alguém como ela, com gosto pelo contato com as pessoas, nada pode ser mais irritante que "conversar" com aquelas gravações eletrônicas dos call centers.
Aliás, assunto ainda não abordado com o devido espaço neste blog, essas "atendentes virtuais" com as quais precisamos "falar" só corroboram aquilo que eu sempre falo: o telemarketing existe para blindar as empresas e acabar com a paciência do consumidor. A idéia é fazer a pessoa desistir de reclamar, mesmo. E uma das estratégias é fazer o cliente se sentir um palhaço, por ter que falar com uma gravação sabendo que ainda vai precisar encarar um operador posteriormente.
Pois a Thatiana, a amiga sobre a qual falava no início do post, é uma das milhões de pessoas que já sofreram com a irritante dobradinha "atendente virtual-operador de telemarketing" dos call centers. Dia desses, Thati me mandou um e-mail lembrando de uma história que publicara em meados do ano passado em seu engraçadíssimo blog "Musa de Caminhoneiro", que, com a permissão da autora, ganhará, aqui, o molho do "Senhor, estarei te irritando...".
Thati queria, apenas, saber o valor da entrada de um parcelamento que fez em sua conta de telefone fixo, mas sentiu na pele a blindagem da prestadora do serviço e, por diversas vezes, durante a ligação, teve que contar até 31 para não quebrar tudo a sua volta.
Primeiro, o surrealista papo com a "atendente virtual":
- Di-ga o nú-me-ro do te-le-fo-ne pa-ra o qual de-se-ja a-ten-di-men-to.
- 21-xxxx-xxxx.
- En-ten-di. A-go-ra, di-ga os dois pri-mei-ros nú-me-ros do CPF do ti-tu-lar da li-nha.
- ZERO, OITO, DOIS - respondeu Thati, bem alto.
- A-go-ra, fa-le o mo-ti-vo de sua li-ga-ção.
- Quero saber o valor da entrada de um parcelamento solicitado.
E a gravação, brilhantemente, confirma:
- En-te-ndi. Va-lor de par-ce-la-me-nto. Um minuto. Estaremos transferindo sua ligação para um de nossos tendentes - Até a gravação eletrônica abusa do gerundismo.
E depois de vários minutos ouvindo uma irritante musiquinha, Thati, finalmente, consegue falar com um ser humano. O sotaque era nordestino. Pela minha experiência com a mesma empresa, mais ou menos na mesma época, o atendente era de Fortaleza.
- Oi. Boa tarde, meu nome é Valdemar Fernando. com quem eu falo?
Já muito irritada, por achar totalmente desnecessário dizer seu nome, a cliente responde:
- Thatiana.
- Qual é a sua solicitação, senhora Thatiana?
"Ué? Eu já não tinha respondido isso para a brilhante gravação?", pensou Thati. Mas, para evitar a fadiga, ela preferiu responder de novo:
- Parcelei a minha conta e gostaria de saber o valor da entrada.
- Pois não, senhora. Poderia estar me confirmando os três primeiros números de seu CPF?
- Como assim??? Acabei de dizer o número para a gravação!!! Pra que diabos existe essa m... dessa gravação!!!
Valdemar Fernando, com o mesmo tom "blasé", apesar do primeiro descontrole de Thati, pede mais um minutinho. E só volta depois de três:
- Senhora, consta aqui um pedido de parcelamento da sua conta em aberto.
- Eu sei, meu filho. Foi por isso mesmo que eu liguei!
E o cidadão, inacreditavelmente, pergunta:
- Senhora, qual o o valor da entrada?
- COMO EU VOU SABER?????????? EU LIGUEI JUSTAMENTE PARA ISSO!!!!!
Pois é. A empresa nos dá Oi, mas a vontade que temos, sempre, é de dar tchau para ela.
2 comentários:
Essas histórias se repentem tanto que já tem até publicitário se aproveitando delas! Já vi pelo menos duas propagandas que utilizam esse surreal atendimento eletrônico!
Adorei a adaptação e, mais ainda, os adjetivos elogiosos dirigidos a minha pessoa. hehehe
Posso ter coração bom, mas juro mataria um atendente da Oi se andasse armada e tivesse a infelicidade de cruzar com algum deles. Ah! E vale ressaltar que essa não foi a única história. Já experimentou ligar pra resolver problemas com o seu velox?
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