quinta-feira, 31 de julho de 2008

Agora está valendo

Bom, agora as empresas não têm mais escapatória (ou será que têm?). O presidente Lula assinou, nesta terça-feira, um decreto que dá 120 dias para mudanças nos call centers e a nova regulamentação vem sendo considerada, segundo especialistas, um divisor de águas na relação consumidor-empresa.

No papel está muito bonito de se ver. O decreto é bem abrangente e pulveriza, ponto a ponto, todos os males causados pelos call center a nós, pobres consumidores. No entanto, apesar de não ser um pessimista por natureza, acho que, na prática, a história tem tudo para continuar do jeito que está.

Como eu disse por aqui, ontem, caberá a nós, consumidores, o papel de fiscais desse decreto. Precisamos denunciar, a partir de dezembro, todo e qualquer abuso por parte das empresas. E denunciar é algo que o brasileiro não tem costume de fazer. Por isso que o telemarketing cresceu tanto no país. Somos um povo sem memória e sem tradição de lutar por seus direitos.

De acordo com nota publicada no site do Ministério da Justiça, "o cidadão que não receber o atendimento e tratamento adequados, poderá denunciar ao Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC), Ministérios Públicos, Procons, Defensorias Públicas e Entidades Civis que representam a área".

Ok! Falta, então, agora, o governo fazer um pouco mais a sua parte e gastar um pouco de seus milhões destinados à publicidade para educar o povo a lutar por seus direitos, de acordo com o novo decreto. Falta ter a transparência que estão exigindo, a partir de hoje, das empresas, que precisarão ter "o número do SAC em todos os documentos e material impresso entregues ao consumidor no momento da contratação do serviço e durante o seu fornecimento".

Ou seja, não adianta, apenas, dizer que podemos reclamar em Procons e Entidades Civis sempre que tivermos problemas com call centers. O governo precisa dar o caminho das pedras para a população, pois, do contrário, a nova regulamentação tem tudo para não "pegar".

Pelo menos aqui, no "Senhor, estarei te irritando...", pretendo "estar fiscalizando".

Diálogo eletrônico

Essa aconteceu ontem. Chego em casa cansado do trabalho e vejo que a secretária eletrônica pisca com duas mensagens. Ouço ambas. Idênticas. A mesma ligação eletrônica:

- Ligue, por favor, para o telefone 0800 xxx xx xx.

Já sabia que era de uma financeira, na qual nunca fiz empréstimo, para me oferecer um cartão de crédito. Normalmente eu não ligo de volta. Mas, desta vez, abri uma exceção. Acabei ouvindo uma nova mensagem gravada:

- Este telefone mudou. Ligue agora para 4004 xxxx.

Quer dizer, minha secretária eletrônica conversou com uma outra secretária eletrônica, para eu descobrir que teria de pagar uma ligação local para que algum operador de telemarketing "pudesse estar me oferecendo" algum produto ou serviço.

Só tenho uma coisa a dizer:

terça-feira, 29 de julho de 2008

Vamos estar fiscalizando

Brigar com operadores de telemarketing não é exatamente como um hobby para este humilde blogueiro. Muito pelo contrário. É estressante, irritante, muitas vezes revoltante! O ideal seria não fazê-lo, mas, no fim das contas, é um mal necessário. Eles não me dão outra opção. Ou melhor, até dão: a opção de não lutar pelo meus direitos como consumidor. Mas essa possibilidade é totalmente fora de cogitação.

Como já andei explicando muito por aí, ultimamente, inclusive em algumas entrevistas que dei sobre o “Senhor, estarei te irritando...”, ter um espaço para contar as minhas histórias e receber colaborações de amigos e eventuais novos foi a principal motivação para a criação deste blog.

A idéia já germinava na minha cabeça, mas a coisa só se concretizou, mesmo, no dia 18 de junho, quando li algumas notícias sobre o projeto do Ministério da Justiça de regulamentar os serviços de telemarketing.

Na época, foi prorrogado por 30 dias o prazo de consulta pública, no site do Ministério da Justiça, das propostas de mudanças. Desta vez, parece que a coisa vai! Nesta quinta-feira (31/07), numa solenidade no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará o decreto.

Vamos ver o que vai acontecer... As empresas terão quatro meses para adequação às novas regras. Vivemos num país com leis que pegam ou não. Tudo é questão de fiscalização. A Lei Seca já pegou, assim como, anos atrás, o povo foi educado a usar o cinto de seguranças.

No entanto, a nova regulamentação dos call centers não vai mexer com o povo, mas com as empresas. Neste caso, fica muito mais difícil de pegar, pois não seremos fiscalizados, como na Lei Seca. Seremos os fiscais.

Caberá a nós, consumidores, denunciar as empresas que não cumprirem as regras, pois não vai dar para esperar muito mais do governo. Só espero que, para reclamarmos de eventuais irregularidades, não tenhamos que ligar para um 0800 de algum call center estatal.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Eles não deixam a saga acabar

Não foi à toa que escrevi, no post passado, sobre o "Sistema", suprema divindade protetora dos operadores de telemarketing. O texto me veio à cabeça após uma ligação surrealista de um deles, na sexta-feira passada, que tornou a história que contei uns dias atrás, sobre problemas com uma operadora de tv por assinatura, ainda mais inacreditável.

Pois é. O post "Estarei ganhando meu lugar ao céu" ganha, a partir de agora, sua "Parte II", pois eles não deixam a saga acabar!

- Boa tarde. Eu poderia falar com o senhor Raphael.
- Sou eu, mesmo.
- Senhor Raphael, meu nome e Osmar Fernando, estou falando em nome da operadora de TV por assinatura. Consta em nosso "Sistema" que o senhor tem uma assinatura sem sinal.

Na mesma hora, o sangue subiu à cabeça de tal forma - por causa de todos os problemas que já tive com empresa, da qual, por sinal, ainda sou cliente -, que nem ouvir uma de minhas músicas favoritas ("Lucy in the SKY with diamonds") me acalmaria.

- Como é que é??? Como assim eu tenho uma assinatura sem sinal?
- Em nosso "Sistema" consta que o senhor tem uma assinatura sem sinal?
- Meu amigo, você só pode estar de sacanagem!!! Que espécie de "Sistema" é esse o de vocês? Eu sou assinante desde o ano passado, este ano, inclusive, assinei o pacote do Brasileirão, estou acompanhando toda a campanha do Flamengo no Campeonato. Como assim consta aí que eu tenho uma assinatura sem sinal?
- Senhor, deve ter havido algum engano. Vou estar atualizando suas informações no "Sistema", para estar constando que sua assinatura está ativa.
- Espera aí! Se não constava antes, como é que eu recebo o sinal? Como é descontada a mensalidade do meu cartão de crédito todos os meses? Você vai atualizar aí e vai acabar fazendo alguma cagada ainda maior!
- Fique tranquilo, senhor. Não haverá nenhum problema.
- Só quero ver!
- Pode ficar tranquilo, senhor. Boa tarde.
- Boa tarde.

Das duas uma. Ou eu vou ter uma surpresa no futuro, como meu CPF sendo usado por outra pessoa ou algo do tipo, ou o "Sistema" da TV por assinatura foi desenvolvido pelas Organizações Tabajara.

Apesar de me manter cliente da empresa - por não ter outra opção -, espero que seja a segunda hipótese.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Sistema, olhai por nós!

Todo operador de telemarketing que se preze é fiel a uma indiscutível entidade: o "Sistema".

Enquanto o "Deus" seguido pelos cristãos não pode ter seu santo nome pronunciado em vão, o "Sistema", suprema divindade protetora dos call centers, pode e deve ser sempre evocado. Este, inclusive, deve ser o primeiro mandamento dos atendentes.

Um, segundo crenças, teria criado o mundo em sete dias. O outro tem possibilidades técnicas para instaurar o caos em poucos segundos. Se um deles ainda não tem sua existência comprovada pela ciência, o outro é um produto papável, fruto dos avanços tecnológicos da humanidade.

Um é hipótese, existe para aqueles que nele acreditam. O outro é fato.

Os cristãos servem a "Deus", que, como se diz por aí, escreve certo por linhas tortas. O "Sistema", por sua vez, foi criado para servir ao homem, escrevendo certo em códigos binários retos.

"Deus" é impiedoso. Da mesma forma que, na crença de muitos, concede uma graça, também castiga. É uma entidade dúbia. Já o "Sistema" é pragmático. Processa tudo o que o homem precisa, de acordo com suas necessidades. Não comanda. É comandado. Não erra. Mas é facilmente levado ao erro.

Viver sem "Deus" é fácil. Basta não acreditar nele. Os ateus estão aí para provar. Viver sem o "Sistema", hoje em dia, já tornou-se impossível, principalmente para os call centers.

Quando o "Sistema" falha, nem "Deus" ajuda. Mesmo que o operador de telemarketing seja cristão fervoroso. No caso dos atendentes, inclusive, muitas vezes a falha nem é do "Sistema", mas, ele leva a culpa, assim mesmo.

E é na culpa que consiste outra grande diferença entre "Deus" e o "Sistema".

O primeiro, de caráter opressor, não é responsabilizado por nada. Pelo contrário. Os fiéis confessam suas próprias culpas e erros, para depois se penitenciarem e receberem o perdão divino. O "Sistema", coitado, não tem o amor e a fidelidade daqueles que o evocam. É, para o operador de telemarketing, a síntese do subterfúgio. Tudo é culpa dele. Com isso, ao contrário de "Deus", acaba livrando, de graça, a cara de seus fiéis.

"Deus" é valorizado pelos que nele acreditam. Já os atendentes, fiéis ao "Sistema", apenas usam e abusam de sua entidade suprema e acabam passando para nós, que somos atendidos, a impressão de que o "Sistema", na verdade, é mais poderoso que "Deus".

terça-feira, 22 de julho de 2008

Sir, I will be irritating you...

O “Senhor, estarei te irritando...” está ficando internacional. Pela primeira vez, desde a estréia, vou contar a história de uma “correspondente estrangeira”, sobre um serviço de telemarketing de outro país.

Carol Menezes, ex-colega de Jornal de Brasil e, antes disso, minha colega de turma no curso de Jornalismo da UFF, mora atualmente na Inglaterra, onde trabalha e estuda. De terras britânicas, me manda um caso que eu chamaria de fantástico, se não fosse tão absurdo.

Pois é. Falta de qualidade em serviços de call center não é “privilégio” do Brasil ou de outros países de Terceiro Mundo. E pelo relato de Carol, parece ser um tema ainda mais irritante nos arredores de Palácio de Buckingham.

Ela conta que serviço de telemarketing na Inglaterra é um porto seguro para imigrantes indianos em busca de emprego. Praticamente dá para sentir o hálito de curry pelo telefone quando se liga para um S.A.C inglês.

Certa vez, ela entrou com contato com o call center da British Airlines, para trocar um vôo para o Brasil. Mas Carol precisou passar pela irritação de conversar com uma atendente virtual, o que, segundo suas próprias palavras, “é sacanagem para um serviço que, seguramente, é usado por non-native speakers”.

Depois de pressionar milhares de números no teclado do telefone, Carol precisou falar, à gravação, que precisava adiar a passagem. Conseguiu. E, depois, seguiu respondendo a sabatina eletrônica:

- Flight?
- One-two-three-eight, N-D-X to San Paolo.
- Date?
- Third of October.

Até aquele momento, tudo ótimo. Carol, inclusive, comemorava o fato de a British Airlines ter entendido seu “Brazilian English” numa boa. Mas a gravação final acabou com a festa:

- Where is your final destination?

Carol não se apavorou, afinal de contas, eram palavras em português. Respondeu com segurança

- Rio de Janeiro
- Sorry, I could not understand your answer. Please, try again.
- rIO de Jayneiro
- Sorry, I could not understand. Please, try again.
- IIOO d'aneiro
- Sorry, I could not understand. Please, go to our website www.ba.co.uk.

E a ligação parou por ali. Eles sequer deram chance a Carol de falar com um dos atendentes, o que, segundo ela, “foi até melhor", pois não precisou "falar com um atendente de telemarketing com molho curry”.

domingo, 20 de julho de 2008

Irritação em dose dupla

Minha amiga e coleguinha de profissão Thatiana é uma mulher do povo, gosta muito de lidar com gente. Tem um coração enorme e realiza, inclusive, trabalhos muito bacanas, como dar aulas de redação em comunidades carentes. E para alguém como ela, com gosto pelo contato com as pessoas, nada pode ser mais irritante que "conversar" com aquelas gravações eletrônicas dos call centers.

Aliás, assunto ainda não abordado com o devido espaço neste blog, essas "atendentes virtuais" com as quais precisamos "falar" só corroboram aquilo que eu sempre falo: o telemarketing existe para blindar as empresas e acabar com a paciência do consumidor. A idéia é fazer a pessoa desistir de reclamar, mesmo. E uma das estratégias é fazer o cliente se sentir um palhaço, por ter que falar com uma gravação sabendo que ainda vai precisar encarar um operador posteriormente.

Pois a Thatiana, a amiga sobre a qual falava no início do post, é uma das milhões de pessoas que já sofreram com a irritante dobradinha "atendente virtual-operador de telemarketing" dos call centers. Dia desses, Thati me mandou um e-mail lembrando de uma história que publicara em meados do ano passado em seu engraçadíssimo blog "Musa de Caminhoneiro", que, com a permissão da autora, ganhará, aqui, o molho do "Senhor, estarei te irritando...".

Thati queria, apenas, saber o valor da entrada de um parcelamento que fez em sua conta de telefone fixo, mas sentiu na pele a blindagem da prestadora do serviço e, por diversas vezes, durante a ligação, teve que contar até 31 para não quebrar tudo a sua volta.

Primeiro, o surrealista papo com a "atendente virtual":

- Di-ga o nú-me-ro do te-le-fo-ne pa-ra o qual de-se-ja a-ten-di-men-to.
- 21-xxxx-xxxx.
- En-ten-di. A-go-ra, di-ga os dois pri-mei-ros nú-me-ros do CPF do ti-tu-lar da li-nha.
- ZERO, OITO, DOIS - respondeu Thati, bem alto.
- A-go-ra, fa-le o mo-ti-vo de sua li-ga-ção.
- Quero saber o valor da entrada de um parcelamento solicitado.

E a gravação, brilhantemente, confirma:

- En-te-ndi. Va-lor de par-ce-la-me-nto. Um minuto. Estaremos transferindo sua ligação para um de nossos tendentes - Até a gravação eletrônica abusa do gerundismo.

E depois de vários minutos ouvindo uma irritante musiquinha, Thati, finalmente, consegue falar com um ser humano. O sotaque era nordestino. Pela minha experiência com a mesma empresa, mais ou menos na mesma época, o atendente era de Fortaleza.

- Oi. Boa tarde, meu nome é Valdemar Fernando. com quem eu falo?

Já muito irritada, por achar totalmente desnecessário dizer seu nome, a cliente responde:

- Thatiana.
- Qual é a sua solicitação, senhora Thatiana?

"Ué? Eu já não tinha respondido isso para a brilhante gravação?", pensou Thati. Mas, para evitar a fadiga, ela preferiu responder de novo:

- Parcelei a minha conta e gostaria de saber o valor da entrada.
- Pois não, senhora. Poderia estar me confirmando os três primeiros números de seu CPF?
- Como assim??? Acabei de dizer o número para a gravação!!! Pra que diabos existe essa m... dessa gravação!!!

Valdemar Fernando, com o mesmo tom "blasé", apesar do primeiro descontrole de Thati, pede mais um minutinho. E só volta depois de três:

- Senhora, consta aqui um pedido de parcelamento da sua conta em aberto.
- Eu sei, meu filho. Foi por isso mesmo que eu liguei!

E o cidadão, inacreditavelmente, pergunta:

- Senhora, qual o o valor da entrada?
- COMO EU VOU SABER?????????? EU LIGUEI JUSTAMENTE PARA ISSO!!!!!

Pois é. A empresa nos dá Oi, mas a vontade que temos, sempre, é de dar tchau para ela.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Shakespeare esteve dando piruetas no túmulo

Um colega do escritório onde trabalho teve uma passagem por uma gigante da aviação brasileira, que andou a quebrar nos últimos anos. Num grande salão, dividido por baias, Wesley era parte de uma equipe que dava suporte a agências de turismo, mas dividia o espaço com o setor de telemarketing.

Um dos operadores - cujo nome meu colega não se lembra, mas que vou chamar de Andimar Fernando - falava cerca de seis palavras em inglês, mas, mesmo assim, arriscava-se a atender ligações de clientes estrangeiros, com a segurança de um professor de literatura de Cambridge.

Se no português já costuma "estar sendo" difícil...

Pois numa dessas ligações, Andimar Fernando, após muito ouvir e nada entender, soltou a seguinte pérola:

- Don't "andestend"! What is your name? Can you "soleter"?

Let me spell a word for you: "S-T-U-P-I-D"!!!!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Arruda contra a irritação

O povo brasileiro é conhecido por não ter memória, principalmente em termos de política. Mas eu tenho. Lembro-me como se fosse hoje da CPI instaurada, em 2001, pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, para investigar a violação no painel de votação do processo de cassação do então senador Luiz Estevão. À época, ficou provada a participação dos também senadores José Roberto Arruda - líder do governo FHC no Senado - e Antônio Carlos Magalhães na fraude. Ambos renunciaram para não perderem os direitos políticos com a iminente cassação.

Dias antes de um país inteiro - exceto a Bahia - comemorar a renúncia de ACM, José Roberto Arruda abdicara de mais dois anos como senador. E saiu chorando! Lembro-me até hoje desse choro. Pois o povo brasileiro não se lembra. Pelo contrário. Os eleitores do Distrito Federal o elegeram governador. E o cara que participou de um dos maiores escândalos envolvendo parlamentares, hoje, goza de grandes poderes novamente.

Mas as "escorregadas morais" de José Roberto Arruda não estão em discussão aqui, um blog temático sobre telemarketing. Longe de elogiar o atual governador do Distrito Federal, gostaria de destacar duas ações interessantes, tomadas por ele.

A primeira foi no ano passado, quando "demitiu", através de um decreto, o Gerúndio do Distrito Federal. A segunda foi na semana passada, quando sancionou um projeto de lei que proíbe as operadoras de telemarketing de entrarem em contato com quem não deseja receber as ligações.

Podem não ser soluções para fome, miséria, analfabetismo ou segurança pública. Mas não tem como negar que são atitudes simpáticas.

"Morte ao Gerúndio"

"Decreto nº 28.314, de 28 de setembro de 2007.

Demite o gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências.

O governador do Distrito Federal, no uso das atribuições que lhe confere o artigo
100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:

Art. 1° - Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2° - Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA.
Art. 3° - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 28 de setembro de 2007.

119º da República e 48º de Brasília
JOSÉ ROBERTO ARRUDA"

"Senhor, não esteja nos irritando!"

LEI Nº 4.171, DE 08 DE JULHO DE 2008.
(Autoria do Projeto: Deputado Rogério Ulysses)
Cria o Cadastro para Bloqueio do Recebimento de Ligações de Telemarketing, denominado “NÃO IMPORTUNE!”, e dá outras providências.
O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, FAÇO SABER QUE A CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL DECRETA E EU SANCIONO A SEGUINTE LEI:
Art. 1º Fica instituído, no âmbito do Distrito Federal, o Cadastro para Bloqueio do Recebimento de Ligações de Telemarketing, denominado “NÃO IMPORTUNE!”.
Art. 2º O cadastro “NÃO IMPORTUNE!” tem por objetivo impedir que as empresas de telemarketing ou os estabelecimentos que se utilizam desse serviço efetuem ligações telefônicas nãoautorizadas para os consumidores nele inscritos.
Art. 3º Compete ao Instituto de Defesa do Consumidor do Distrito Federal – PROCON-DF fiscalizar o cumprimento desta Lei, estabelecer os critérios de divulgação do cadastro, bem como criar os mecanismos necessários à sua implementação.
§ 1º No ato da inscrição, o usuário deverá fornecer as seguintes informações:
I – nome;
II – documento de identificação original com cópia;
III – CPF;
IV – endereço;
V – CEP;
VI – telefone a ser cadastrado, acompanhado por comprovante de propriedade da(s) linha(s);
VII – e-mail.
§ 2º Após o registro dos dados, o consumidor receberá uma senha para possíveis alterações no cadastro.
Art. 4º A partir do 30º (trigésimo) dia do ingresso do consumidor no cadastro “NÃO IMPORTUNE!”, as empresas que prestam os serviços relacionados no art. 2º não poderão efetuar ligações telefônicas destinadas às pessoas nele inscritas.
§ 1º As empresas referidas neste artigo deverão acessar o cadastro “NÃO IMPORTUNE!”, a fim de tomar conhecimento dos consumidores inscritos.
§ 2º Enquanto vigorar a relação de consumo, as empresas que mantiverem operações econômicas com o usuário cadastrado ficam excluídas das vedações de que trata o caput, exceto para a venda e a divulgação de novos produtos ou serviços.
§ 3º O consumidor poderá cadastrar somente linhas telefônicas registradas em seu nome, respeitando o limite máximo de 3 (três) números.
Art. 5º Incluem-se nas disposições desta Lei os telefones fixos e os aparelhos de telefonia móvel em geral.
Art. 6º No ato do cadastramento, é facultado ao consumidor autorizar, por meio de declaração, as instituições que poderão efetuar os serviços de telemarketing destinados a ele.
Art. 7º A qualquer momento, o consumidor poderá solicitar o seu desligamento do Cadastro, mediante senha fornecida no ato da inscrição.
Art. 8º O consumidor que receber ligações após os 30 (trinta) dias da data do ingresso no Cadastro deverá registrar ocorrência do fato junto ao PROCON-DF, informando dia, horário, nome do atendente, empresa prestadora do serviço e número do protocolo de atendimento, a fim de que sejam tomadas as medidas cabíveis.
Art. 9º Será aplicada multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) por ligação efetuada em descumprimento com os dispositivos desta Lei.
Art. 10. Estão isentos do cumprimento das disposições previstas nesta Lei:
I – as organizações de assistência social, educacional e hospitalar sem fins lucrativos, portadoras do título de utilidade pública e que atuem, em nome próprio, como entidade chamadora;
II – os órgãos governamentais.
Art. 11. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de 60 (sessenta) dias, a partir da sua publicação.
Art. 12. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 13. Revogam-se as disposições em contrário.
Brasília, 08 de julho de 2008.
120º da República e 49º de Brasília
JOSÉ ROBERTO ARRUDA

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Estarei ganhando meu lugar no céu

No post de estréia deste blog, falei um pouco sobre as características do bairro onde moro, aqui no Rio de Janeiro. É um bairro bem charmoso, por sinal, até certo ponto tranquilo, mas com uma infra-estrutura dos tempos de D. Pedro II. E esse caráter arcaico do "Bairro Imperial" restringe as opções dos moradores que querem, de uma forma honesta, escolher um serviço de TV por assinatura.

Me refiro a uma "forma honesta" porque, apesar de não existir cabos aqui no bairro, sempre existe a opção do "Gatonet", que está por aí, em qualquer lugar do Rio de Janeiro. Mas isso, por uma questão de princípios, eu não faço. Até porque, além de incentivar a contravenção, será que eu teria um serviço de call center decente? Se eu já tenho problemas com os operadores de telemarketing das empresas de verdade, imaginem como seria ligar para reclamar de problemas como uma empresa pirata?

Pois bem, em 2000, comprei o equipamento e contratei os serviços de uma TV por assinatura via satélite. Um sinal que vem lá do "Céu". Durante longos seis anos, mantivemos um relacionamento estável, operadora e eu. Mas, como nada é para sempre, um dia o caldo entornou.

Em março de 2007, logo após me casar, saí da casa dos meus pais e me mudei para um apartamento a apenas um quarteirão de distância. Liguei para a operadora para efetuar a troca de endereço e pedir a instalação do equipamento no novo local, mas soube que teria de pagar uma taxa de mais de R$ 60 pela mudança. Por ser assinante do serviço por sete anos, considerei absurda a cobrança e cancelei a assinatura.

No entanto, no dia 18 de junho daquele mesmo ano, recebi uma ligação de um atendente que se dizia da "Central de vendas" da empresa:

- Boa noite, o senhor Raphael, por favor?
- Sou eu.
- Senhor Raphael, meu nome é Claudiomar Fernando, falo em nome da TV por assinatura. Consta em nossos cadastros que o senhor tem uma assinatura cancelada. Estou ligando para saber se o senhor estaria interessado em estar reativando essa assinatura.
- Olha, eu até gostaria, mas cancelei a assinatura uns meses atrás por achar absurda a cobrança de R$ 60 para efetuar uma troca de endereço.
- Ok, senhor. Pois nós gostaríamos de estar lhe oferecendo a reativação da assinatura pelo valor de R$ 74,90, durante um ano, com a manutenção de seu pacote "Plus" e a adição de cinco canais de cinema.

Gostei das condições oferecidas e perguntei se a instalação poderia ser feita no dia seguinte. Como a resposta foi afirmativa, minha esposa ficou em casa para esperar pelo serviço, mas ninguém apareceu. No mesmo dia, ligamos diversas vezes para reclamar e só tivemos respostas desencontradas até chegarmos à informação real: o pedido de reativação sequer constava no sistema.

Os diálogos que tive com os operadores naquele dia foram exaustivos, estressantes, muito nervosos e, até certo ponto, por minha parte, logicamente, muito hostis. Nem cabe transcrevê-los por aqui. Para me acalmar, só ouvindo uma música dos Beatles que gosto muito: "Lucy in the SKY with diamonds".

Então, cerca de uma semana depois, um atendente realmente bem preparado, da Central de Relacionamentos, me ligou para pedir desculpas pelo contato anterior e esclarecer os fatos.

- Senhor Raphael?
- Sou eu.
- Senhor, meu nome é Osmar Fernando. Sou supervisor da Central de Relacionamentos e gostaria de estar esclarecendo os problemas que foram fruto de suas reclamações em ligações recentes.

Após eu contar toda a história, novamente, ouço algo que nunca havia ouvido antes: um operador de telemarketing admitindo um erro da empresa.

- Senhor, essa ligação que o senhor recebeu foi absurda, não poderia ter acontecido e, por isso, pedimos desculpas. Nós realmente trabalhamos com algumas centrais de cobrança, que usam nossos cadastros de ex-clientes para reativação de assinaturas. Mas essa pessoa que ligou para o senhor nunca poderia ter oferecido o que ofereceu. Estamos averiguando o responsavel por essa ligação para estarmos tomando as providencias necessárias.
- Ok.
- Senhor, eu gostaria de estar aproveitando a oportunidade para oferecer ao senhor a reativação da assinatura. O que a empresa realmente oferece é o pacote "plus", pelo preço de R$ 76,90 até o final do ano.
- A instalação seria grátis?
- Sim, senhor.
- Mas, antes, teria que ser feita a desinstalação em meu antigo endereço, que fica a um quarteirão daqui.
- Não tem problema, senhor.

Pois no dia marcado, um sábado, o instalador chegou e disse que não faria o serviço, pois não fora avisado de que teria que desinstalar o equipamento no endereço anterior. Ainda assim argumentei, disse que se tratava de um endereço próximo, mas ele disse que a instalação teria de ser remarcada. Revoltado, liguei na mesma hora para a empresa e cacelei a assinatura que nem sequer havia começado. No mês seguinte, no entanto, por incrível que pareça, recebi um boleto de cobrança, com vencimento para 30 de julho, no valor de R$ 76,90.

A solução foi mandar uma carta para a coluna "Defesa do Consumidor", do jornal O Globo. Só então recebi uma ligação da empresa dizendo para desconsiderar o boleto e confirmando o cancelamento da assinatura.

Mas a coisa não acabou por aí!!! Durante, pelo menos, cinco meses, recebi ligações semanais da empresa, nas quais os operadores, completamente despreparados e, coitados, reféns da desorganização interna, me perguntavam se meu equipamento já havia sido instalado. Inacreditável!

Estão pensando que acabou? Que nada! Alguns meses depois, com a cabeça no pacote do Brasileirão - que, aliás, vem me dando grandes alegrias, pelo desempenho fantástico do Mengão -, resolvi ir a um quiosque da operadora em um shopping, para, mais uma vez, tentar fazer uma assinatura. Deixei o local certo de que, no sábado seguinte, um instalador estaria batendo à minha porta. Vã ilusão!

Mais uma vez, passamos um sábado trancados em casa, à espera do serviço que não veio. A essa altura, eu já estava quase colocando o número da empresa na memória do telefone. Após mais algumas ligações, resolvi dar mais uma chance e, finalmente, no outro sábado, consegui a instalação.

Já com o serviço funcionando por alguns meses, o mais inacreditável: recebo uma nova ligação da empresa, dizendo que havia um pedido de instalação em aberto - aquele!!! - e se o técnico já havia comparecido na minha casa. Minha única reação foi rir e falar:

- Ah, você só pode estar de sacanagem! Tchau!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Os 10 Mandamentos

Antes de ligar para qualquer call center, observe atentamente os 10 Mandamentos criados pelo blog "Senhor, estarei te irritando...":

1 - Registre tudo o que ocorreu na ligação. Tenha sempre, em mãos, papel e caneta ou, se possível, um gravador ligado à linha telefônica. Neste caso, faça o operador provar de seu próprio veneno e informe: "Esta ligação está sendo gravada". Garanto que ele vai andar na linha;

2 - Tenha muita paciência! Pelo menos nos primeiros minutos da ligação;

3 - Não permita que o operador de telemarketing, principalmente do estilo receptivo, lance mão do gerundismo. Quando um atendente diz que vai "estar providenciando", ele, na verdade, vai "estar te cozinhando em banho-maria". Ele vai, apenas, "estar lançando" uma solicitação em seu sistema, para "estar passando" a bola para longe de sua alçada e "estar fazendo" com que você entre numa fila virtual até "estar chegando" a instâncias superiores, que poderão, ou não, "estar resolvendo" seu problema. Portanto, exija que ele "PROVIDENCIE"!;

4 - Deixe uma jarra de suco de maracujá bem gelado, um copo e calmantes ao lado de cada aparelho telefônico de sua casa. Mantenha uma jarra pronta, também, dentro da geladeira, caso faça ligações pelo seu celular;

5 - Se o problema que precisa resolver é recorrente e está se arrastando há muito tempo, mantenha um histórico de todas as ligações que você fez para o mesmo call center, com nomes dos atendentes e os números de protocolos que recebeu. Este mandamento depende inteiramente da observação e cumprimento, à risca, do Mandamento 1;

6 - Esteja em dia com as mensalidades de seu plano de saúde e verifique se o mesmo tem cobertura para consultas psiquiátricas;

7 - Ameace, sempre, entrar na Justiça contra a empresa. Cumprir os Mandamentos 1 e 5 é fundamental para que seus argumentos façam o operador levar a sério tais ameaças;

8 - Se for hipertenso, certifique-se de estar ao lado de uma pessoa dotada de um celular e capaz de lidar com emergências. Se a irritação te levar a níveis extremos, você pode ficar inconsciente e ainda estar com o telefone ocupado. Lembre-se que esse cuidado será em vão se o Mandamento 6 não for cumprido;

9 - Você pode sentir vontade, durante uma ligação, de jogar o telefone na parede, correndo o risco de quebrá-lo. Por isso, tenha sempre um aparelho de reserva para efetuar uma substituição rápida. Isto pode ser crucial para você manter a ligação e não ter que passar por todos os cansativos procedimentos de menu eletrônico até chegar a falar com o atendente. Atenção: muitas vezes, o cumprimento dos Mandamentos 2 e 4 não garante, de forma 100% segura, que você não terá um acesso de raiva;

10 - Nunca se dê por vencido, mas procure não se alterar. Se você não xingar ou ofender de qualquer outra forma, o operador não poderá desligar na sua cara. Cumpra bem os Mandamentos 1 e 7, para que o atendente tenha medo, até mesmo, de "fazer a ligação cair por acaso". Se for preciso, fique duas, três, quatro horas no telefone e tente vencê-lo pelo cansaço.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Estarei adoçando sua boca

Apesar de estar há menos de um mês no ar - o primeiro post foi publicado no dia 18 de junho -, o blog "Senhor, estarei te irritando..." já tem leitores assíduos.

Lá de Salvador, uma atendente não muito orgulhosa de seu trabalho - que faz parte do grupo de leitores assíduos, ao qual me referi -, me conta o que aconteceu no call center onde trabalha no último dia 4, Dia do Operador de Telemarketing, em resposta ao post nem um pouco comemorativo de sexta-feira passada.

"Olá, Raphael, tudo bem?

Você tem razão, sim. Não há nenhum motivo para comemorar o Dia do Operador de Telemarketing. Trabalho para uma empresa aqui em salvador, que presta serviço terceirizado para uma operadora de celular.

Sabe qual foi o maravilhoso presente que a empresa bolou para nos homenagear?

Calma não se assuste com "tamanho reconhecimento" por parte da empresa! O presente foi um saquinho de jujuba!!!

Fiquei tão emocionada com a homenagem, que sequer consegui comer todas aquelas gomas. Não houve nenhuma manifestação verbal, ou coisa parecida, de qualquer representante de força maior da empresa. Apenas, mesmo, os três "promotores", vestidos com camisetas laranjas, que caíram de para-quedas na central e nos entregaram os saquinhos."

Realmente, é dura a vida de um Operador de Telemarketing!

Mas, não fique assim, cara leitora. Eu nunca ganhei nem saquinho de jujuba no Dia do Jornalista.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Crônica "Senhor, estarei te indignando..."

O telemarketing só encontrou seu verdadeiro propósito quando chegou no Brasil. Num país onde o povo não tem o costume de brigar por seus direitos, esse tipo de serviço só poderia cair como uma luva. Usados como blindagem pelas empresas, para vencer pelo cansaço os seus clientes - que, normalmente, costumam ter razão em suas reclamações -, os call centers irritam e deixam o consumidor com aquela sensação de impotência.

E o que é um contribuinte? Nada mais que um consumidor dos serviços públicos sem, sequer, o recurso dos call centers. Nós, que pagamos nossos impostos, temos o direito de exigir saúde, educação, lazer, segurança.

Um desses itens, a segurança pública, é algo que, caso tivesse um call center específico, seria alvo de muitas reclamações, principalmente aqui no Rio de Janeiro.

Imaginem a situação hipotética:

Toca o telefone no "Call Center da Polícia". De plantão, no domingo passado, Valdemar Fernando atende e ouve o relato de uma tragédia:

- Polícia, boa noite. Meu nome é Valdemar Fernando, com quem eu falo?
- Meu nome é Paulo. Sou pai de um menino inocente, o João, de apenas 3 anos de idade, que foi metralhado e morto covardemente por um de seus policiais, enquanto estava no carro com a mãe, voltando para casa.
- Senhor, poderia estar me confirmando alguns dados?
- Você me ouviu bem? Seus policiais assassinaram meu filho. Meu outro filho, de nove meses, estava dentro daquele carro e, Graças a Deus, escapou ileso. Minha esposa se colocou na frente da linha de tiro e ficou cheia de estilhaços! Eu não pago os meus impostos para virem executar a minha família. Você entendeu o que eu acabei de dizer? Seus policiais acharam que um carro com uma mãe e duas crianças estivesse cheio de bandidos!
- Senhor, seu cadastro não foi encontrado em nossa base de dados. Poderia estar me confirmando seu telefone?
- Não quero saber de cadastro! Estou ligando porque, até agora, não veio ninguém me procurar!
- Senhor, estaremos registrando sua reclamação. Poderia estar anotando o número do protocolo.

Sem saber o que fazer com um número de protocolo, Paulo desliga o telefone na cara do atendente.

Algo parecido já havia acontecido com Valdemar Fernando no ano passado, mais precisamente em fevereiro. Uma outra tragédia, que envolvia um outro menino, também chamado João, foi motivo de ligação para o "Call Center da Polícia":

- Polícia, boa noite. Meu nome é Valdemar Fernando. Com quem eu falo?
- Meu nome é Rosa. Eu fui assaltada, roubaram meu carro e saíram arrastando meu filho João, de apenas seis anos, que ficou preso no cinto de segurança do banco de trás!
- Senhora, poderia estar me confirmando alguns dados?
- Como assim confirmar dados? Meu filho está morto! Os bandidos levaram meu carro e ele foi arrastado por sete quilômetros!
- Então, a senhora está me dizendo que a criança foi morta por bandidos. Neste caso, terei que estar lhe transferindo para outro setor. A senhora sabe de qual facção eram os bandidos?
- Como é que eu vou saber????
- Senhora, se não soubermos qual foi a facção que cometeu o crime, não teremos como estar lhe ajudando. Vou estar registrando sua reclamação.

E Rosa desliga o telefone na cara do atendente, certa da impunidade e com a sensação de impotência imposta por qualquer call center a seus consumidores.

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Nota do blogueiro: Por se tratar de um blog temático, busquei, com este post, manter o assunto telemarketing e, ao mesmo tempo, através de uma pequena crônica de realidade cruel, expressar toda a minha indignação com episódios de violência chocantes e, infelizmente, recorrentes que acontecem em nossa Cidade Maravilhosa.

Foi uma licença no clima de descontração do blog que eu não gostaria de ter feito, mas a necessidade de desabafar foi mais forte. E tenho certeza de que a sociedade brasileira, neste momento, se sente da mesma forma: chocada, desprotegida, violentada.

Que as mortes desses meninos - ambos, numa mórbida semelhança, de primeiro nome João - não se tornem meras estatísticas. Números nos quais se debruçam, inclusive, nossas autoridades, assim como fazem os mestres do telemarketing, com o simples intuito de esconder suas falhas.

Deixo, aqui, neste humilde espaço, meu eterno pesar não apenas às duas famílias dos meninos de primeiro nome João, mas a todas as famílias que foram destruídas pela falta de segurança pública neste país.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Estarei devendo, mas não estarei negando...

Nada melhor para um banco que ter um correntista endividado e pagando juros em cima de juros. É dinheiro fácil, que leva algumas dessas entidades, especialmente as privadas, a recordes atrás de recordes de lucros astronômicos que, dificilmente, ficam abaixo da casa dos bilhões. Pois meu semixará Rafael, coitado, devia apenas R$ 300 para um banco "único" - ou vice-versa. E me mandou um e-mail para contar que esteve se irritando. E muito!

Rafael vive aquela vida dos que ganham bolsa-auxílio. Está acostumado a viver sempre duro. Mas, como os operadores de telemarketing não diferenciam estagiário de Presidente da República, o jovem começou a sofrer seriamente com as cobranças:

- Senhor, estivemos verificando que há um débito de trezentos reais em seu nome. Há previsões de quando o senhor estará efetuando o pagamento?

O estudante/estagiário, então, pensou em algumas respostas diferentes: "Difícil, meu caro. Sou aluno de uma faculdade de jornalismo e não da Mãe Dinah! Como eu vou prever o meu futuro?" ou "Olha, segundo a minha bola de cristal, daqui a um mês eu ganharei na Mega-Sena. Eu não só vou pagar essa porcaria de dívida como vou comprar esse banco e te mandar embora!".

Mas, como de forma alguma seria grosso com um profissional que, no fim das contas, deve ganhar pouco mais que ele, respirou fundo e respondeu:

- Meu caro, dentro de dois meses eu pagarei essa dívida, ok?

Mas o operador insistiu:

- Mas, senhor, neste caso, o senhor estará tendo juros e a sua dívida irá aumentar. Não deseja fazer um parcelamento?

Mais uma vez, Rafael respirou fundo, enquanto pensava: "Meu amigo, surpresa seria se o banco congelasse a minha dívida. Eu sei que haverá juros. E que se dane! Eu pago essa porcaria com juros!". Mas ele achou melhor contemporizar:

- E como faço o parcelamento?

O atendente disse que Rafael deveria "estar se encaminhando" até sua agência, que, por sinal, fica do outro lado da Ponte.

E lá foi o bravo estagiário. Após a viagem e uma longa espera no banco, consegui fazer o tal parcelamento. E, como havia se mudado de Niterói para o Rio de Janeiro, aproveitou a presença na agência em sua antiga cidade para solicitar a troca de seu endereço, para que o boleto chegasse no local correto. Pois Rafael conta que ficou "muito surpreso", porque, logo no primeiro mês o boleto não chegou (Nota do blogueiro: "Inocente! Você não imaginava, meu caro?").

Quatro dias depois do vencimento, um novo operador liga:

- Senhor Rafael?
- Sim.
- Aqui quem fala é Claudiomar Fernando. Tudo bem?
- Até agora, sim - respondeu Rafael, já sem paciência.
- Estive verificando que o senhor não efetuou o...


E Rafael, subindo o tom da voz, já cortou o atendente e soltou cobras e lagartos:

- Claudiomar Fernando, eu não paguei por que a m... do boleto não chegou na p... do meu novo endereço!

Educadamente, o atendente respondeu:

- Então, senhor Rafael, eu estarei lhe passandodando um número de um protocolo. Com esse número, o senhor estará se encaminhando até uma agência do banco e não pagará juros, ok?
- Ok.


Pois é isso mesmo que vocês estão imaginando, caros leitores. Novamente, o boleto não chegou. E numa bela noite, por volta de 21h, Rafael voltava para casa. O ônibus tinha todos os assentos ocupados, mas com pessoas cansadas de uma jornada longa de trabalho. O toque do celular do estagiário toca e quebra o silêncio da viagem. Era Dulcimar Fernando, do banco:

- Senhor Rafael, estivemos verificando que o senhor não pagou os últimos boletos do parcelamento de sua dívida.

E o estagiário, tentando manter a discrição, respondeu baixinho:

- Eu sei que não paguei. Só que, mais uma vez, o boleto não chegou em minha residência.
- Desculpe, senhor, pode falar um pouco mais alto?


Rafael suspira e aumenta um pouco mais o volume da voz, ainda mantendo a educação. Mas Dulcimar Fernando não ouvia.

Já explodindo de raiva, Rafael resolveu "assumir aquilo que todos no ônibus já desconfiavam": que aquele jovem tentando sussurrar ao celular era, segundo suas próprias palavras, "um belo de um devedor, que fica dando desculpas para não pagar a dívida no banco".

E após muito gritar no telefone, Rafael sequer conseguiu pegar o número do protocolo da ligação, pois o atendente já havia desligado. Para completar, terminou sua viagem com duas senhoras fofoqueiras ao seu lado contando suas histórias de dívidas intermináveis com bancos.

A enquete está sendo continuada...

Devido a problemas com nosso querido Blogspot, fiquei impossibilitado de lançar uma importante enquete aqui no blog. A alternativa que encontrei foi abrir a votação na comunidade do Orkut, que, inclusive, já está encerrada.

Mas não me dou por vencido. A enquete do Orkut teve pouco mais de 20 votos, apesar de a comunidade já ter passado de 50 membros. Acho pouco!

Por isso, quero manter a pesquisa e, como o Blogspot resolveu colaborar, estou relançando a enquete, que, agora, está aqui, bem ao alcance de seus olhos, caro leitor!

Vote: Quem estaria te irritando?

A sua opinião é muito importante para nós!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Estaremos comemorando?

Se há motivos para comemorar eu não sei. Mas, para os que não sabem, hoje é o Dia do Operador de Telemarketing. Nós, consumidores irritados, certamente, não temos nada a celebrar. Eles, operadores, acredito que muito menos.

Desde que este blog entrou no ar, há pouco mais de duas semanas, o retorno por parte dos profissionais dessa área tem sido muito bom. Todos contam histórias e entram no clima bem-humorado dos posts. Mas, principalmente, reclamam da profissão.

De acordo com dados referentes a 2006, divulgados pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, mais de 284 mil pessoas trabalham na área, tanto no ativo quanto no receptivo. Deste total, mais de 77 mil são jovens entre 16 e 24 anos, o que confirma a fama do setor de ótima porta de entrada no mercado de trabalho.

A primeira experiência num emprego, ainda jovem, no entanto, pode ser traumatizante. Segundo os mesmos dados do Ministério do Trabalho e Emprego, os postos de trabalho diminuem à proporção em que faixa etária aumenta: de 25 a 29 anos (29.178 postos), 30 a 39 (20.038 vagas), 40 a 49 (6.690 empregos) e 50 a 64 (com 1.197 trabalhadores). Sintomático, não?

Ninguém aguenta trabalhar com isso por muito tempo. Tem a ver com falta de treinamento; baixíssimos salários; jornada de segunda a sábado - e, as vezes, alguns domingos -; pressão de supervisores carrascos, que, por sua vez, apenas despejam a pressão que sofrem de cima, pelo cumprimento de metas. Enfim, é trabalho digno de ganhar insalubridade.

E nós, consumidores, sofremos as consequências. Lidamos com pessoas que, protegidas pela distância instransponível imposta pelo telefone, abusam do direito de falarem conosco como robôs, não por culpa delas, mas por obrigação do ofício.

De qualquer forma, parabéns a vocês, caros operadores de telemarketing. Apesar de não serem tratados como tal - por seus superiores e também pelos consumidores -, vocês são seres humanos. Parabéns não pelo dia de hoje, mas pela dura batalha que enfrentam todos os dias.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

ENQUETE (Últimos dias)

Faltam apenas dois dias para o encerramento da enquete que abri em nossa comunidade do Orkut!

Portanto, seria interessante que todos os senhores, leitores deste blog, estivessem acessando e participando. Não apenas da enquete, mas da comunidade como um todo. Qualquer um pode estar abrindo tópicos de discussão.

A enquete: Quem estaria te irritando mais ultimamente?
- Operadoras de celular
- TVs por assinatura
- Telefonia fixa
- Bancos
- Cartões de crédito

Acessem e respondam! A sua opinião é muito importante para nós!


Comunidade "Senhor, estarei te irritando..." no Orkut

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Cliente ilustre

Um colega meu de escritório, também jornalista, um dia trabalhou como operador de telemarketing. Durante um ano, antes mesmo de entrar para a faculdade de jornalismo, Vinicius conseguiu o primeiro emprego de sua vida: entrou para a equipe de atendentes do call center da extinta empresa aérea Rio Sul.

Como boa parte dos profissionais da área, Vinícius ganhava mal e precisava rebolar para se manter no emprego. Saía do colégio voando, almoçava rápído e quase sempre chegava atrasado. Segundo ele, havia um código entre os operadores: xingou ou falou palavrão, tecla hold para o mal-educado do outro lado da linha. Se a hostilidade continuasse, todos, pelo menos naquele call center, tinham o apoio do gerente para desligarem na cara do cliente.

Vinícius achava o trabalho chato, mas, pelo menos, teve a oportunidade de viver momentos engraçados. Certa vez, atendeu um cliente com sotaque nordestino, muito carregado. Uma figura marcante. Com ele, Vinícius esqueceu do trabalho e bateu um papo para lá de insólito:

- Sobrenome, por favor?
- Lacerda
- Nome, por favor?
- Genival
- Calma, aí! O senhor é o Genival Lacerda???
- Sim, senhor.
- Calma, aí! Genival Lacerda "dá o c... no salão"?
- Hahahahahahahahaha. Que isso, meu filho? É "talco" no salão.
- Olha, mais engraçada do que essa, só a "te comia na sala... te comia no chão...".
- É, meu filho, esse gato é danado. O Tico mia em tudo que é lugar mesmo (risos).
- "Ele tá de olho é na butique dela..."
- Poxa garoto, você é meu fã mesmo. Sabe todas. Estou impressionado.
- Já te vi muito no Faustão, Gugu... Poxa, é uma honra conhecê-lo. Para onde o senhor quer viajar?
- Para Campina Grande.
- Terra boa... Pena que não voamos para lá.
- Ah é?! Pois vou fazer uma série de shows por lá. Como faço?
- O senhor vai precisar pesquisar em outra companhia, infelizmente.
- Então tá, meu filho, boa tarde.
- Só não jogue talco no salão, por favor!
- Fique tranquilo! Um abraço!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Pesquisa de instatisfação

Atire a primeira pedra - ou, como estamos no mundo virtual, mande o primeiro vírus - aquele que nunca teve problema com algum banco. Por causa de mudanças de empregos, ao longo dos anos, já fui obrigado a ter contas em, pelo menos, quatro instituições diferentes. Sendo que a única que se mantém até hoje foi a que abri espontaneamente, há mais de 10 anos.

No início de maio passado, por conta de mudanças no escritório onde trabalho, precisei abrir uma conta num banco que se julga "verdadeiro" até no nome. Já contrariado, fui à agência e deixei bem claro:

- Essa conta é só para receber salário! Não quero um limite astronômico no cheque especial, nem talão de cheque ou qualquer outra "vantagem". Já tive problemas com esse banco antes, fechei uma conta assim que deixei um outro emprego e só estou abrindo de novo porque estou sendo obrigado!

Pois bem, não deu outra. Passado um mês, ninguém da agência entrou em contato comigo para me passar o número da conta e o primeiro salário que eu receberia nesse banco acabou tendo que ser pago em cheque, o que significa três dias sem dinheiro no início do mês, até o cheque compensar.

Após muitas ligações para o banco, consegui, quase que numa apuração jornalístico-investigativa, descobrir o número de minha conta. Bom, no próximo mês - o que significa esta quarta-feira - vou receber meu salário normalmente. Mas nem tudo estava resolvido.

Umas duas semanas atrás, chegou no meu antigo endereço, ou seja, na casa de minha mãe, uma correspondência com a senha do atendimento pelo telefone. Confesso que não entendi, pois, na abertura da conta, dei um comprovante de residência de meu novo endereço de casado. Além disso, meu sobrenome na correspondência era "Grespo", em vez de Crespo.

Logo pensei: - Pronto, está errado no cartão, também. Vai dar m...!!! E deu. Esse cartão com o nome errado, inclusive, está perdido por aí, num limbo bancário, pois não chegou no endereço antigo e muito menos no novo.

No dia seguinte, sem ter tempo de ir à agência, liguei para a minha gerente de conta - que não é exatamente uma operadora de telemarketing, mas que se mostrou totalmente despreparada, como muita gente desse setor. Na ligação, ouvi as desculpas mais esfarrapadas possíveis, até conseguir que meu nome fosse consertado e o endereço atualizado, além da promessa de que o cartão estaria pronto em no máximo dez dias. Mais de 20 dias já se passaram e, até agora, nada!

E foi aí que entrou um inocente operador de telemarketing. Altemar Fernando me ligou, agora há pouco, cerca de quatro horas atrás, para me fazer um pedido:

- Boa noite! Falo com o senhor Raphael.
- Isso.
- Pois, bem, senhor Raphael. O senhor é correntista de nosso banco, na agência "tal". Correto?
- Sou.
- Certo. Estou ligando para solicitar que o senhor esteja indicando um amigo seu para abrir uma conta em nosso banco. Seria possível?
- Não. - Assim, mesmo, curto e grosso.

Meio sem jeito com a resposta, Altemar Fernando insiste:

- Ok, senhor. Voltaremos a entrar em contato em mais alguns dias, para que o senhor possa lembrar de alguma pessoa para nos indicar.
- Isso não vai acontecer. Já tive conta no seu banco, encerrei por estar muito insatisfeito e fui obrigado a abrir outra apenas para receber salário. Gosto muito dos meus amigos para indicar esse banco para algum deles.
- Ok, senhor. Nosso banco agradece a atenção. Boa noite.
- Boa noite.