terça-feira, 2 de setembro de 2008

Gato escaldado não está nem aí para o vazamento

Desde que o mundo é mundo, teorias são criadas e derrubadas, à medida que a tecnologia avança. Mas se tem uma coisa que a comunidade científica não discorda é sobre a importância da água para o surgimento e manutenção da vida na Terra. Para os especialistas, a existência de água é fundamental, inclusive, para comprovar a possibilidade de existência de vida em outros planetas. Ou seja, se não há água, não há a mínima chance de vida - sequer consideram a hipótese de que, caso existam ou tenham existido, formas alienígenas de vida não precisem, ou tenham precisado, da água.

Pois a escassez de água é, atualmente, uma das principais preocupações ambientais, não apenas para cientistas e ecochatos, mas para toda a humanidade. Menos para a Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).

(Nota do blogueiro: Sim, vou ter que citar o nome de uma empresa, novamente)

Responsável pelo fornecimento de água para nós, pobres cariocas, a Cedae conta, atualmente, com um dos serviços de atendimento menos eficientes de que tenho conhecimento. O call center da empresa é um exemplo sintomático de minha teoria de que o telemarketing só existe para blindar as empresas.

Há pouco mais de uma semana, um vazamento na entrada da vila onde eu moro começou a jorrar litros e mais litros de água. Com o passar dos dias, o vazamento foi só aumentando e, no fim de semana que passou se transformou numa verdadeira cachoeira. Desde o início, os proprietários da vila entraram em contato com a Cedae, pois o buraco no cano se encontrava antes do hidrômetro e, portanto, só poderia ser manuseado pela própria Cedae.

O ápice do vazamento aconteceu, mesmo no final de semana. E foi quando incomodou mais. Além dos proprietários, outros moradores da vila e mesmo vizinhos ligaram para reclamar. Eu, mesmo, liguei duas vezes, uma no sábado e outra no domingo. A resposta era sempre a mesma, como numa de minhas ligações:

- Senhor, estaremos lançando um alerta de emergência em nosso sistema.
- Mas é uma emergência, mesmo! Precisa ser visto agora! Vocês não tem equipe de plantão?
- Senhor, nos apenas lançamos a solicitação no sistema. Não temos contato com as equipes. A solicitação entra no cronograma de visitas da equipe técnica.
- Quer dizer que a água vai ficar jorrando aqui até alguém da Cedae aparecer??? Não tem como me dar um prazo?
- Senhor, peço que esteja aguardando que a equipe da Cedae esteja se dirigindo ao local.

Se não fosse pela pequena porta de alumínio que fecha o armário onde o hidrômetro está instalado, a água, certamente, iria jorrar por alguns metros de altura, tamanha pressão do vazamento. Ninguém tomou banho ao entrar e sair da vila, mas todo mundo teve que levantar a barra da calça durante o "período de alagamento".

Ontem de manhã, segunda-feira, dia útil, imaginei que alguém da Cedae pudesse aparecer por lá. Mas imaginei outra coisa, também. Será que uma denúncia sobre "gato" mereceria uma atenção especial? A reação da Cedae seria mais rápida?

Entrei no site da Cedae e tive o trabalho de contar. Na seção "Últimas notícias", das 194 notas que contei, exatas 97 falavam sobre "gatos", encontrados nos mais diversos estabelecimentos ou tipos de residências. Somadas às que citavam "irregularidades" ou "ligações clandestinas" em seus títulos, o número de notas subia para mais de 100! E são ações com nomes "divertidos", como "Gato Luxúria", "Gato bronzeado", "Gato Silvestre", "Gato Construtor", "Gato Inflamável" ou "Ninhada de Gatos", de fazer inveja às operações de "nomes cabeça" da Polícia Federal, como as "Satiagraha" da vida.

Ainda curioso sobre se o tratamento que a empresa dá a uma denúncia é o mesmo dado a um pedido de reparo, liguei para o 0800-28-21-195. Digitei 5 e esperei por mais de cinco minutos, com uma chatíssima gravação eletrônica sobre "a melhor água do Rio" no ouvido, até desistir e desligar. Voltei a telefonar logo em seguida, para esperar outros cinco minutos até ser atendido.

- Boa tarde. Eu gostaria de fazer uma denúncia sobre um gato. Uma ligação clandestina. Se eu fizer uma denúncia, em quanto tempo ela seria verificada?
- Senhor, a Cedae trabalha com ordens de cronogramas de serviço, de acordo com cada distrito. Aguarde um momento, vou estar verificando se denúncias de ligações clandestinas também fazem parte deste cronograma.

Após um minuto em silêncio, o atendente volta:

- Senhor, as denúncias de ligações clandestinas são verificadas de acordo com os cronogramas de serviço de seu distrito. O senhor gostaria de estar fazendo uma denúncia?
- Não, eu gostaria só de saber se uma denúncia de gato levaria a Cedae mais rapidamente até o endereço onde eu moro, onde há um enorme vazamento na entrada da minha vila que, apesar de várias ligações, durante mais de uma semana, ainda não foi reparado.
- Então, o senhor quer comunicar um vazamento?
- Pois é, na verdade, eu pensei em fazer uma denúncia falsa de "gato". De repente, vocês resolvem aparecer logo por lá e, ao verificarem que não tem gato nenhum, aproveitam a presença para consertar o vazamento.

Meio sem jeito, o atendente pergunta:

- Senhor, qual é o seu endereço?

Passo tudo para ele...

- Senhor, estou lançando sua reclamação no sistema. Uma equipe da Cedae será encaminhada ao local.
- Quando?
- Não tenho com estar lhe passando um prazo, senhor.
- Eu já imaginava, obrigado.

Ps.: Provavelmente, enquanto eu falava no telefone com o atendente, a Cedae estava lá na porta de casa, consertando o vazamento, após alguns milhares de litros de água desperdiçados, pois, quando cheguei, de noite, já não havia mais nada. Uma quantidade, que, certamente, foi maior do que os muitos litros desviados por alguns dos "gatos" encontrados pela empresa.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Esteja recomprando o que você já tem

Assinar um bom pacote de vantagens não significa ficar livre de ligações dos operadores de telemarketing ativo da operadora de telefonia móvel. No caso da empresa escolhida por minha digníssima esposa e eu, não há nada que tenhamos em nosso plano que eles não achem que possam nos vender de novo. Eles são Vivos!

Sabrina e eu assinamos o mesmo plano. Como viajamos muito, optamos por um pacote com uma cacetada de torpedos e vários minutos de roaming grátis. Assim como eu, ela é tinhosa, briga por seus direitos até as últimas consequências. Por ser nascida em Belço Horizonte, é desconfiada. Talvez não tanto quanto eu, que, apesar de carioca, tenho alma de mineiro.

Mesmo assim, num belo dia, os Vivos vendedores do call center de nossa operadora se aproveitaram de um momento de distração e quase conseguiram dar uma volta nela.

- Boa tarde, falo com a senhora Sabrina?
- Isso mesmo.
- Pois bem, senhora Sabrina, nossa operadora está oferecendo à senhora um pacote de vinte e cinco torpedos a mais por apenas três reais e noventa centavos a mais na conta.
- Quantos torpedos.- São vinte e cinco torpedos, senhora Sabrina. A senhora gostaria de estar assinando este pacote?
- Ah, pode ser. Eu quero, sim.
- Pois, não, senhora Sabrina. A senhora poderia estar confirmando alguns dados pessoais?
- Claro.

Na mesma noite, em casa, ela comentou comigo sobre um bom plano de torpedos que a operadora havia oferecido. Como sou, pelo menos um pouquinho, mais Vivo que ela nesse sentido, tive que lembrá-la de nosso plano:

- Meu amor, o nosso plano tem uma quantidade de torpedos que você nunca vai ultrapassar num mês. Mesmo que eles não sejam cumulativos, você sempre terá essa mesma quantidade no outro mês.
- Ih, é verdade! Nossa, não acredito que eles me pegaram nessa!
- Pois é. Sei que três reais e pouco por mês não vão nos deixar mais pobres, mas, só pela sacanagem, acho que você deveria ligar agora e cancelar.

E lá foi Sabrina discar *8486. Após bater o já tradicional e surrealista papo com a atendente virtual - sabendo que não adiantava falar: "Vocês me enganaram!!!" -, conseguiu falar com um ser humano.

- Boa noite, meu nome é Osmar Fernando. Com quem eu falo?
- Meu nome é Sabrina.
- No que posso estar lhe ajudando, senhora Sabrina.
- Hoje me ligaram daí para oferecer um pacote de torpedos, mas eu já tenho um número suficiente em meu plano. Quero cancelar.
- A senhora tem certeza? São vinte e cinco torpedos?
- Olha aqui, vocês já agiram com uma má fé absurda, me vendendo uma coisa que eu já tenho. Vamos cancelar isso agora!
- Tudo bem, senhora. A senhora poderia estar confirmando alguns dados pessoais.
- Todos que você precisar, desde que cancele esses torpedos.

E sem maiores problemas, ela conseguiu cancelar os tais 25 torpedos. E continuou fazendo jus ao título de Sra. Crespo.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Esteja dando nome aos bois...

Exceto por um post recente, quando a irritação ultrapassou todos os limites imagináveis, tenho como linha editorial, aqui no "Senhor, estarei te irritando...", não citar os nomes das empresas que, através de seus call centers, levam seus clientes à loucura. Pelo menos não diretamente.

É uma escolha simplesmente editorial, mesmo, até para ter mais um artifício para brincar com as palavras no texto.

Porém, o espaço de comentários do blog é totalmente livre. Qualquer um pode entrar e escrever o que quiser. Por isso, gostaria de propor, neste post, que você, leitor, "esteja dando" nome aos bois.

Sem mais justificativas, apenas me diga: "Qual é a empresa que mais te irrita?". Ao mesmo tempo, peço, também, que me escreva (raphaelfc@hotmail.com), contando o porquê de tanta irritação.

O "Senhor, estarei te irritando..." existe para contar histórias, não só as minhas, mas de todos que já se irritaram com operadores de telemarketing.

Portanto, colaborem! Estarei aguardando!

domingo, 24 de agosto de 2008

Quem nunca se irritou que não atire a primeira pedraaaa...

Apesar de ser uma atividade que exerço com prazer, atualizar esse blog ainda não é algo que me dê um retorno financeiro bacana. Aliás, não dá retorno financeiro nenhum! Mesmo assim, gosto de manter uma boa freqüência de posts, em espaços de tempo não muito longos, para fidelizar minhas dezenas de leitores. Esta semana, no entanto, pela primeira vez não deu. Infelizmente. Uma viagem a trabalho me ocupou boa parte do tempo.

Mas volto hoje contando uma história sensacional, de uma coleguinha que, ao contrário de mim, já conseguiu fazer alguns trocados a mais tendo um blog como ponto de partida e na qual devo, inclusive, me espelhar. Trata-se de Clarissa "Clara McFly" Passos, uma das três autoras do "Garotas que dizem Ni", blog que está no ar desde 2003 e cujas histórias já viraram livro.

No post "Desventuras em série - Partes I e II", Clarissa conta a odisséia a que foi submetida para trocar um simples celular. Para variar só um pouquinho, como em qualquer situação em que um consumidor leva na cabeça, havia um ou mais operadores de telemarketing envolvidos.

O celular de Clarissa sofria de um problema conhecido da grande maioria dos aparelhos com mais de, pelo menos, um ano e meio de uso: bastavam duas ou três ligações mais longas para a bateria morrer. A blogueira, então, ligou para o atendimento de sua operadora, explicou o problema e ouviu do atendente que de acordo com a quantidade de pontos que tinha, poderia escolher entre alguns modelos disponíveis no site.

Após muito pesquisar, escolheu um aparelho idêntico ao um que tinha como principal mote de venda um conteúdo exclusivo da Pitty. E ligou de volta para o call center.

- Oi. Me mandaram escolher um aparelho para trocar pelos pontos... Eu quero o aparelho tal.
- Pois não, senhora.
- Mas...
- Pois não?
- Olha, tem um modelo normal deste aparelho e um modelo da Pitty. Eu NÃO quero o celular da Pitty, OK?.
- Sem problemas, senhora. Que cor a senhora gostaria de estar adquirindo?
- Qualquer cor, desde que não seja o da Pitty. Se você me mandar um celular da Pitty, eu devolvo.
- Ok, senhora. Poderia estar confirmando alguns dados, por favor?
- Claro.

Quatro dias depois, Clarissa recebeu do zelador de seu prédio um pacote. Ao abrir, deu de cara com o rosto cheio de piercings da Pitty na caixa. Para seu alívio, era apenas a ilustração da embalagem, pois o aparelho, em si, não tinha sequer uma nota das músicas da cantora baiana.

Mas a lua-de-mel com o novo celular durou apenas 72 horas. Um dia, não mais que de repente, Clarissa viu a tela de seu aparelho ficar totalmente preta. Culpou a Pitty pelo azar e ligou novamente para o call center. O atendente informou que não poderia "estar fazendo" nada e que ela deveria "estar procurando" a assistência técnica do fabricante, onde ficou sabendo que não teria como deixar o celular para consertar, pelo fato de não ter o que chamaram de "carta de doação".

No balcão da assistência, Clarissa argumentou:

- Mas eu não comprei esse celular, moça. Eu ganhei no programa de fidelidade, aquele troço de pontos, sabe?
- E eles não te enviaram uma carta de doação?
- Não. Eles me enviaram o aparelho, que acho que funciona melhor que uma carta, não? Bem, funcionava...
- A senhora tem que ligar na operadora e pedir essa carta. Do contrário, não posso aceitar seu celular.

Naquele mesmo dia, Clarissa voltou a ligar para o call center:

- Boa noite, em que posso ajudá-la?
- Eu ganhei um celular de vocês pelo programa de pontos, mas ele quebrou. Vocês me mandaram procurar a assistência, que, por sua vez, me pediu a nota fiscal e eu...
- A senhora não recebeu a carta de doação?
- Não.
- Bom, eu posso estar enviando para a senhora num prazo de cinco dias úteis...
- E eu vou ficar sem celular uma semana?
- Ou a senhora pode estar se dirigindo a uma de nossas lojas para pegar na hora.
- Ótimo. Obrigada, boa noite.

Clarissa esperou chegar o sábado, para ir com mais calma à loja da operadora. Por já conhecer os prazos da assistência técnica, resolveu levar também, para a loja, seu antigo aparelho, para reabilitá-lo e não ficar sem celular enquanto o novo estivesse no conserto.

Passadas algumas horas na loja, Clarissa, finalmente, conseguiu a nota fiscal do celular e correu para levá-lo logo à autorizada. Deixou o "aparelho da Pitty" por lá e foi embora sabendo que não o veria mais por, pelo menos, dez dias, prazo dado pela atendente apenas para o diagnóstico do problema.

Após dois meses aguardando a prometida ligação da autorizada, Clarissa decidiu, ela própria, ligar. A atendente pediu a ordem de serviço e informou:

- Seu celular está pronto há mais de um mês e meio, senhora.
- E por que vocês não me telefonaram?
- Nós telefonamos.
- Em que número?
- No número tal...
- É, esse é o telefone da minha casa.
- Ninguém atendeu.
- É que eu trabalho o dia todo. Por que vocês não ligaram no meu celular?
- Nós não telefonamos para celular, senhora. Política da empresa.

E Clarissa atingiu seu primeiro pico de irritação. Como pode uma empresa que faz assistência técnica para aparelhos de celular não ligar para números de celular? Mesmo assim, foi buscar seu "Pittyfone" e ligou para o call center da operadora novamente. Após explicar toda sua saga, ouviu do atendente:

- Senhora, não poderei estar habilitando seu aparelho. A senhora precisará estar se dirigindo a uma de nossas lojas
- Mas eu já fiz isso uma vez, só desabilitei porque ele quebrou e...
- Por isso mesmo, senhora. Nós só habilitamos por telefone na primeira vez. Depois, é preciso ir a uma loja da operadora munida da nota fiscal e um documento de identificação, por questões de segurança...

Clarissa, então, resolveu jogar sua última cartada:

- Então eu quero cancelar essa porcaria. Já deu tudo errado desde o começo, eu não tenho tempo de ir a uma loja e só estou habilitando pela segunda vez porque vocês me mandaram uma droga de aparelho que quebrou em três dias!

E num tom para lá de insolente, o atendente respondeu perguntando:

- A senhora está dizendo que vai cancelar uma linha porque não tem tempo??!!! É isso mesmo que a senhora está me dizendo?!

Minha colega blogueira, logicamente, voltou a se irritar e bateu o telefone na cara do operador.

Passadas duas semanas, com a cabeça mais fria, dirigiu-se novamente à loja da operadora, para reabilitar o celular. E desta vez, sem apresentar a nota fiscal, ou sequer uma identificação, conseguiu ser atendida de forma decente.

E graças a uma atendente que não fez mais que sua obrigação, Clarissa, agora, tem – e usa – um celular da Pitty.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Continuo não estando interessado!!!

No post de ontem, fiz uma profecia. Mas não esperava que ela se cumpriria tão rápido. "Será que é o necessário para eles, finalmente, conseguirem compreender um português claro? Desconfio que não. Aguardo uma nova ligação em breve... ", dizia eu, há pouco mais de 24 horas.

Pois a mesma empresa de cartão de crédito que há três dias parece ter colocado meu número de celular no speed dial de todos os terminais de seu call center me ligou novamente, há poucos minutos.

Ao contrário das outras vezes, quando o identificador mostrou um número de São Paulo, a chamada foi não identificada, exatamente a forma como aparecem as chamadas feitas pelos celulares do escritório. Tive que atender:

- Boa noite! Falo com o senhor Raphael?
- Isso - Juro que achei que fosse um outro call center, não o da mesma empresa de celular.
- Senhor Raphael, falo em nome da Credicard-Citi e estou ligando para estar oferecendo...

(Nota do blogueiro: Sim, quem me acompanha por aqui sabe que apenas insinuo, não escrevo, com todas as letras, os nome das empresas. Mas, neste caso, acabo de abrir uma exceção)

Na mesma hora interrompi:

- Espera aí! Que droga de sistema é esse que vocês têm??? Já tem dois dias que vocês me ligam e eu digo que não quero nenhum cartão de crédito!!!
- Mas senhor, já ligaram para o senhor hoje?
- Bota aí nesse seu sistema que eu não quero esse cartão de crédito!!!

E bato o telefone na cara. Me arrisco a fazer outra profecia: vão ligar de novo, como se nada tivesse acontecido.

Conserta ou cancela

Uma certa operadora de celular - cujo nome não é igual ao de uma companhia aérea; ou à terceira pessoa do presente do indicativo do verbo "ter"; nem à palavra que designa a altura de um som (grave ou agudo) ou à onomatopéia de uma batida num tambor - não anda tratando bem seus clientes, ultimamente.

Alceu, chefe de minha digníssima esposa, andou tendo problemas sérios nos últimos dias e se viu envolvido numa "trama" que envolve incompetência, descaso e, acreditem, até mesmo pirataria!

Recém-chegado de alguns dias de férias, Alceu foi a um famoso shopping de Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Após tirar belas fotos da viagem em seu novo celular, fabricado por uma empresa de origem coreana - cujo nome, na língua daquele país asiático, significa "três estrelas" - precisava de um cabo e do CD de instalação do software para baixar as imagens em seu computador.

Numa loja autorizada, com um gigantesco logo da referida operadora de celular pendurado na entrada, Alceu conseguiu comprar o que queria, mas não conseguiu aumentar a visualização de suas fotos em sequer uma polegada além do pequeno visor de seu aparelho.

Após muitas tentativas frustradas em casa, pediu a ajuda de minha esposa no trabalho. Ao perceberem que, no processo de instalação do software, era acusada a falta de um arquivo, resolveram dar uma olhada no CD e constataram a paupérrima qualidade do adesivo que cobria sua face superior. É exatamente isso que você está pensando, caro leitor: o CD era uma cópia pirata.

Alceu, então, voltou à loja e exigiu a troca do CD, mas o atendente alegou que não o faria, pois havia vendido o produto com uma capinha e estava recebendo de volta sem a proteção. Além disso, alegou que não poderia fazer nada, também, porque seu o gerente não estava presente. Momentaneamente, Alceu desistiu e foi embora, decidido a voltar num outro dia.

Alguns dias depois, ainda na mesma semana, ele voltou à loja e, numa (in)feliz coincidência, acabou tendo contato com outros clientes que reclamavam do mesmo problema. Um deles, inclusive, havia levado um laptop para provar que o CD não funcionava e conseguiu ver seu dinheiro de volta por ter devolvido o produto dentro da embalagem.

Decidido a não ficar no prejuízo, Alceu exigiu a troca, mesmo não tendo bendita capinha do CD, e ameaçou ligar para a operadora de celular, para reclamar da loja, no que foi respondido, com imenso desdém, pelo atendente da loja:

- Pode ligar.

O sangue subiu de vez e Alceu sacou o celular para acionar a operadora. Contou a história toda para o atendente, denunciou a loja por pirataria, mas não teve muita ajuda.

- Senhor, infelizmente não podemos fazer nada. A prejudicada, neste caso, não foi a operadora, mas o fabricante do celular ou o criador do software. Apenas eles podem fazer a denúncia.
- Mas eu não quero saber! Eu sou cliente de vocês, comprei o celular numa loja de vocês! Isso é um absurdo. Esse aparelho me foi oferecido por vocês, por causa do meu plano.

O atendente, no entanto, alegou que a loja não era da operadora, mas, sim, uma revendedora. Alceu continuou brigando por seus direitos, não pelo que havia desembolsado pelo produto – apenas R$ 30 –, mas pela forma como fora lesado (Nota do blogueiro: Esse é dos meus!!!). Mas o atendente continuava tirando o corpo da empresa fora.

- Quer saber de uma coisa? Vamos cancelar essa linha, então. Não quero mais saber de ser cliente de vocês.

Aí, o discurso do atendente mudou.

- Senhor, estarei lhe transferindo para o setor de cancelamento.

Após alguns minutos ouvindo uma irritante musiquinha, logicamente, a ligação caiu.

Irredutível, Alceu voltou a ligar:

- Mas por que o senhor está querendo cancelar a linha?
- Porque a empresa não quer me ajudar no meu problema e eu também não vou ajudar a empresa!
- Mas o senhor tem um ano e meio de conta, tem várias vantagens...
- Não quero saber de vantagem! A empresa vai resolver meu problema? Se não vai, então pode cancelar!
- Um momento, senhor.

E a ligação cai de novo...

A nova atendente informa:

- O senhor sabe que terá de estar pagando uma multa de vinte reais, de fidelidade do aparelho?

Alceu havia sofrido um assalto, no qual sua pasta foi embora com celular e tudo. A operadora, então, ofereceu o aparelho em questão, de graça, para segurar o cliente. Seguraram o cliente, mas, quando ele quis ir embora, ainda cobrou dele (Nota do blogueiro: Deixo, aqui, a questão para algum eventual advogado que passe por aqui, para me dizer se a cobrança é legal)

- Não tem problema, eu pago. Mas cancela agora!

E após exatos 45 minutos e quatro quedas de ligação, Alceu conseguiu cancelar a conta. Ficou R$ 50 reais mais pobre – o preço do kit com cabo e CD comprado na loja somado à multa de fidelidade –, mas enriqueceu incalculavelmente sua honra de consumidor, até porque, pretende continuar brigando por seus direitos e esperando que alguém pague por todo esse imbróglio.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Não estou interessado!!!

Ontem, em plena hora do rush e com as duas mãos ocupadas, ao volante do carro, toca meu celular, com um número de São Paulo no identificador de chamada. Atendo, pois, em meu trabalho como assessor de imprensa, com clientes de projeção nacional, recebo ligações de todo o Brasil:

- Boa noite, falo com o senhor Raphael?
- Sou eu - Respondo, de forma seca, já sabendo que só um operador de telemarketing começaria uma ligação com "Boa noite, falo com o senhor Raphael?".
- Senhor Raphael, meu nome é Josimar Fernando, do cartão de crédito X. O senhor tem um minutinho para estar falando conosco?
- Agora não posso, estou dirigindo.
- E a que horas posso estar retornando para o senhor?
- Se for para oferecer um cartão de crédito, não precisa nem ligar de volta. Não estou interessado!
- Ok, senhor, agradecemos o contato. Tenha uma boa noite.

Acredito que eu tenha falado em português bem claro, certo? "Se for para oferecer um cartão de crédito, não precisa nem ligar de volta. Não estou interessado!".

Que nada! Às 9h da manhã de hoje, já atolado de trabalho no escritório, o celular toca novamente. Aquele mesmo número de São Paulo:

- Bom dia, falo com o senhor Raphael?
- Isso.
- Obrigado por me atender, senhor Raphael. Meu nome é Lucimar Fernando e falo em nome do cartão de crédito X. Estamos lhe premiando com um cartão de crédito com 70% de desconto na anuidade. Uma oportunidade única.

"Estamos lhe premiando"??? Pelo que sei, prêmio significa bônus e não ônus. Não sou bom em matemática, mas deixar de pagar 70% da anuidade significa, pelo menos, pagar 30% dela, não? Não é nada de graça.

- Não estou interessado.
- Senhor Raphael, qual é a sua profissão?
- Eu não estou interessado.
- Mas senhor Raphael, o senhor não trabalha com cartão de crédito?

Bom, aqui ficou uma dúvida. Será que ele jogou um verde para confirmar a minha profissão, ao perguntar se eu "não trabalhava com cartão de crédito" ou quis saber se eu uso cartão de crédito para fazer compras? Na dúvida, mantive o discurso reto:

- Não estou interessado!
- Ok, senhor Raphael. Agradecemos o contato. Tenha um bom dia.

Contando a ligação de ontem, repeti a sentença "Não estou interessado" aos atendentes da empresa de cartão de crédito exatas quatro vezes.

Será que é o necessário para eles, finalmente, conseguirem compreender um português claro? Desconfio que não. Aguardo uma nova ligação em breve...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O importante é irritar...

O espírito olímpico toma conta do Brasil, onde qualquer assunto capaz de gerar oba-oba é uma peneira suficientemente grande para causar um eclipse solar e esconder - ou pelo menos deixar mais para frente - discussões importantes sobre os problemas do país. Mas no caso específico das Olimpíadas, até acho justo. Trata-se de um evento espetacular, que acontece de quatro em quatro anos e reúne os maiores atletas do mundo.

Nos meus tempos de repórter, não cheguei a ter a oportunidade de estar, in loco, numa Olimpíada ou Copa do Mundo. Mas, em passagens por Lance! e JB Online, participei, direto das redações, das coberturas dos Jogos Olímpicos de Sydney (2000) e Atenas (2004) e das Copas do Mundo de Japão e Coréia do Sul (2002) e Alemanha (2006). Em dias de festa do esporte, confesso que, desde sexta passada, tenho lido - com uma pontinha de inveja, por não estar escrevendo - mais sobre a briga por medalhas que sobre a Operação Satiagraha.

Mas o "Senhor, estarei te irritando..." vai entrar, pelo menos um pouco, no espírito olímpico. No sábado passado, fechei a enquete que ficou cerca de um mês aqui no blog, que perguntou: "Quem estaria te irritando?".

A competição foi acirrada. Dos 155 votos, as "TVs por assinatura" ficaram com a medalha de ouro, com 40. As "Operadoras de celular" levaram a prata, com 32, enquanto a "Telefonia fixa" abiscoitou o bronze, com 29. "Bancos" e "Cartões" de crédito", com 27 cada, quase chegaram no pódio.

Pessoalmente, já tive problemas com todos.

Confira o desonroso "Quadro de medalhas" do "Senhor, estarei te irritando...":

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Se correr, o ladrão pega. Se ficar, o atendente come!

Ser vítima de um mau atendimento por parte de um operador de telemarketing já é desagradável o suficiente. O que dizer, então, quando essa situação acontece logo após uma pessoa entrar para as estatísticas de violência de nossa Cidade Maravilhosa?

Há mais ou menos um mês, minha colega Ana Clara se encaminhava, feliz e contente, para o aniversário de uma amiga. Pegou um ônibus e desceu na Lagoa, na altura da rua Vinícius de Moraes. Ao colocar os pés na rua, foi abordada por dois ladrões, que levaram sua bolsa.

"Minha vida estava lá dentro", lamentou-se Ana, que, para piorar, ficou também sem seu guarda-chuva, numa noite chuvosa. Nada que uma toalha, ao chegar na casa de sua amiga, não pudesse resolver. Ter saído com vida de um assalto, numa cidade onde a violência já está para lá de banalizada, já é motivo de comemorações.

Mas o pior ainda estava por vir. Assim que chegou na casa da amiga, literalmente "sem lenço e sem documento", Ana se agarrou ao telefone, para bloquear cartões de débito/crédito e talão de cheques.

A saga começou pelo banco cuja conta Ana costuma movimentar mais. Um banco verdadeiro que resolveu seus problemas com "surpreendente agilidade e prestatividade" do atendente, que através de uma amiga - que tem conta no mesmo banco - acessou os dados de Ana, incapacitada, pelo nervosismo, de lembrar de tantos números.

O mesmo não aconteceu, porém, com o segundo banco. Um banco "Brasileiro". Para bloquear o talão de cheque, "o infeliz do atendente pedia uma senha" que Ana nunca teve conhecimento. Ela Explicou inúmeras vezes que "nunca havia feito transação bancária nenhuma pelo telefone" e que, por isso, nunca havia precisado da tal senha.

Mas o atendente insistia:

- Senhora, preciso de sua senha de seis dígitos, para estar realizando o cancelamento de seus cheques”.

Ter conta há mais de cinco anos no banco não fez diferença nenhuma, pois o rapaz que a atendeu não foi capaz de bloquear os cheques sem a desconhecida, apesar de aparentemente importante, senha de seis dígitos. Mesmo sabendo que a cliente fora assaltada e que os cheques poderiam ser utilizados, pois os assaltantes estavam com os documentos da vítima.

Ana ficou sem entender o porquê do não-cancelamento, algo que havia conseguido fazer com sucesso, minutos antes, em outro banco.

Conclusão: após passar a noite rezando para não ter nenhum cheque usado indevidamente, a vítima da bandidagem e do atendente teve que ir logo na manhã seguinte até sua agência de origem, enfrentar uma fila gigantesca para, somente às 15h, conseguir cancelar seu talão de cheques. Deu sorte, pois os ladrões poderiam ter feito a festa, "por causa de uma besteira".

Fica a pergunta: se o banco tem todas as informações necessárias sobre a seus clientes, fazem qualquer tipo de movimentação com o dinheiro de seus clientes, por que não ajudar seu cliente numa situação de emergência, como a vivida pela Ana?

Por muito menos, cancelei uma conta aberta apenas um mês antes, ironicamente, no mesmo banco que foi tão atencioso com a Ana.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Esteja cancelando, uai!

O sotaque mineiro me é muito familiar. Sempre fui fã do jeito de falar lá das Minas Gerais. Tanto que acabei me encantando e casando com uma mineirinha.

Nos últimos dias, estive em Belo Horizonte a trabalho e aproveitei, também, para ver minha família do lado de lá. Infelizmente, não tive tempo de fazer uma apuração in loco sobre o funcionamento de um call center.

(Nota do blogueiro: É sabido que muitos serviços terceirizados estão sediados lá. Alguém aí já tentou ligar para o 10331 de nossa querida empresa de telefonia fixa? É só tirar a prova. Pois nem mesmo o delicioso e simpático sotaque mineiro é capaz de amenizar a barra dessa campeã de reclamações).

E os compromissos mil me impediram, também, de atualizar o blog nos últimos dias. Mas o "Senhor, estarei te irritando..." está de volta, pois o número de histórias beira o interminável. E aqui vai uma recebida por e-mail (raphaelfc@hotmail.com), na semana passada.

Há cerca de dois meses, Guilherme decidiu que precisava economizar e ligou para o S.A.C. de sua opeadora para cancelar o cartão de crédito. Para sua surpresa, o atendente disse que o cartão já estava cancelado. Guilherme achou um pouco estranho, mas aceitou e desligou.

Bom, há dois meses ainda não existia o "Senhor, estarei te irritando...", para alertar os inocentes de uma máxima da relação "cliente x operador de telemarketing", que, até o momento, ainda não havia aparecido por aqui com todas as letras, mas sempre esteve subentendido nos posts: "Se alguma coisa parece errada, não desconfie. Tenha certeza de que a coisa, definitivamente, está errada".

Pois voltando ao Guilherme, como não poderia deixar de ser, seus problemas estavam apenas começando. Logo após o fim da recente greve dos Correios, ele recebeu uma carta de cobrança da anuidade daquele mesmo cartão, que, teoricamente, já estava cancelado. Na mesma hora, ele conta, Guilherme respirou fundo, meditou por alguns segundos e, já com pouca paciência, ligou para o call center.

- Senhor Guilherme?
- Isso.
- Aqui quem fala é Deucimar Fernando. O contato do senhor foi redirecionado para nossa central de relacionamento. Darei continuidade ao atendimento ao senhor, tudo bem?

Apesar da pouca paciência e de já ter passado por uma "triagem", Guilherme resolveu o que o atendente tinha para falar.

- Tudo bem.
- Tudo bem com o senhor, senhor Guilherme?

Duvido que o "Senhor Guilherme" estivesse realmente bem, mas...

- Tudo bem.
- O senhor poderia estar confirmando alguns dados para que eu possa estar tendo acesso ao cartão, senhor Guilherme?

Sem ter muita idéia de que tipo de "acesso" seria esse, Guilherme passou todos os dados.

- Senhor Guilherme, qual seria o motivo do contato?
- Cancelar o cartão que teoricamente já estaria cancelado.
- Cancelamento do cartão? Mas por quê? Qual motivo? O que ocorreu? Algum problema, alguma insatisfação com o cartão?
- Não. Eu só quero cancelar.
- Sim, mas não teve nenhum transtorno, nenhum constrangimento?

(Nota do blogueiro: Aqui, eu já teria perdido a paciência. E teria deixado isso bem claro ao atendente.)

- Não. Só quero cancelar.
- De que forma o senhor efetua as compras hoje em dia, senhor Guilherme?

(Nota do blogueiro: Duvido um pouco que o atendente tivesse chegado tão longe comigo. Mas, eu responderia essa pergunta, certamente, com um "não te interessa")

Guilherme respondeu:

- Dinheiro, cheque, pelos outros cartões.
- O senhor concorda comigo que o cartão até é uma forma mais segura de se fazer uma compra, mesmo nos casos em que o senhor quer efetuar compra em dinheiro?
- Não, amigão. Não concordo. Por favor, eu só quero cancelar o meu cartão. Só isso.
- Mas senhor Guilherme, eu verifiquei aqui que o senhor já possui o cartão há algum tempo aqui com a gente e anteriormente o senhor tinha uma utilização constante desse cartão. É uma linha de crédito que o senhor já tem aprovado com a gente. O senhor possui outros cartões?
- Cara, eu só quero cancelar.
- Entendo, senhor Guilherme, mas eu estou tentando informar ao senhor que não é viável estar fazendo o cancelamento até mesmo porque o senhor... Quer dizer, eu posso, sim, estar efetuando o cancelamento, mas o senhor tem um ótimo relacionamento com a gente. O banco não gostaria de estar perdendo um cliente como o senhor e é viável para o senhor continuar com o cartão.

Guilherme, então, partiu para o deboche:

- É mesmo? E por que é viável?
- O cartão já é uma linha de crédito aprovada que o senhor tem. O senhor recebe a fatura em casa normalmente e é uma comodidade que o senhor tem. O cartão foi gerado com o intuito de trazer benefícios pro senhor. Fora que o senhor, além de estar efetuando compras normalmente pelo cartão, o senhor, além de ter essa linha de crédito aprovada, o senhor tem outro benefícios já aprovados. Benefícios extras, por exemplo: de que forma o senhor paga a conta, por gentileza, senhor Guilherme?

(Nota do blogueiro: O atendente é chato, mas não deixa a cordialidade de lado. É "senhor" para cá, "senhor" para lá...)

Guilherme responde:

- Pela internet, indo ao banco.
- Mas o senhor paga debitando em conta corrente, debitando com outro cartão?
- Isso.
- O senhor sabia que com esse cartão o senhor pode efetuar pagamentos de consumo, como água, luz, telefone?
- Sei de tudo isso, cara. Só quero cancelar o meu cartão. Pode ser?
- Entendi, seu Guilherme. O senhor tem certeza? O senhor confirma o cancelamento do cartão?
- Confirmo o cancelamento, claro.
- Tudo bem. Então eu vou efetuar o cancelamento.
- Ta bom.
- Só um momento, senhor Guilherme.

E esse é o momento em que um momento viram vários...

- Senhor Guilherme, desculpa a eventual demora. O cartão se encontra cancelado. Não ha mais possibilidade de utilização do cartão. Futuramente, se o senhor tiver interesse de estar adquirindo um novo cartão, o senhor pode estar preenchendo uma nova proposta. Ok, senhor Guilherme?
- Tudo bem.
- Para nossa segurança, esse ligação foi gravada e registrada em nossos sistemas.
- Ok. Eu também gravei a nossa conversa, pela nossa segurança - debochou Guilherme.
- Caso o senhor tenha uma outra informação ou dúvida, por favor, entre em contato com a gente.
- Tudo bem, obrigado. Pode me dar o número do protocolo?
- Não foi gerado nenhum protocolo, porque não foi feita nenhuma solicitação - (Nota do blogueiro: "Gostaria de cancelar meu cartão" é uma solicitação, não?) - O procedimento foi feito agora mesmo online. A partir de agora, o cartão já se encontra cancelado.
- Esse extrato que recebi, me cobrando pela anuidade? Desconsidero, não é?
- Já foi estornado. Para segurança do senhor, como eu informei, essa ligação foi toda grava e registrada nos nossos sistema. Foi um prazer falar com o senhor. Gostaria de estar lhe dando a oportunidade de ter o senhor novamente como cliente do cartão. Tudo bem, senhor Guilherme?
- Obrigado.
- Eu é que agradeço o contato.

Se eu fosse o Guilherme, ficaria de olho na caixa de correio!