Apesar de ser uma atividade que exerço com prazer, atualizar esse blog ainda não é algo que me dê um retorno financeiro bacana. Aliás, não dá retorno financeiro nenhum! Mesmo assim, gosto de manter uma boa freqüência de posts, em espaços de tempo não muito longos, para fidelizar minhas dezenas de leitores. Esta semana, no entanto, pela primeira vez não deu. Infelizmente. Uma viagem a trabalho me ocupou boa parte do tempo.
Mas volto hoje contando uma história sensacional, de uma coleguinha que, ao contrário de mim, já conseguiu fazer alguns trocados a mais tendo um blog como ponto de partida e na qual devo, inclusive, me espelhar. Trata-se de Clarissa "Clara McFly" Passos, uma das três autoras do "Garotas que dizem Ni", blog que está no ar desde 2003 e cujas histórias já viraram livro.
No post "Desventuras em série - Partes I e II", Clarissa conta a odisséia a que foi submetida para trocar um simples celular. Para variar só um pouquinho, como em qualquer situação em que um consumidor leva na cabeça, havia um ou mais operadores de telemarketing envolvidos.
O celular de Clarissa sofria de um problema conhecido da grande maioria dos aparelhos com mais de, pelo menos, um ano e meio de uso: bastavam duas ou três ligações mais longas para a bateria morrer. A blogueira, então, ligou para o atendimento de sua operadora, explicou o problema e ouviu do atendente que de acordo com a quantidade de pontos que tinha, poderia escolher entre alguns modelos disponíveis no site.
Após muito pesquisar, escolheu um aparelho idêntico ao um que tinha como principal mote de venda um conteúdo exclusivo da Pitty. E ligou de volta para o call center.
- Oi. Me mandaram escolher um aparelho para trocar pelos pontos... Eu quero o aparelho tal.
- Pois não, senhora.
- Mas...
- Pois não?
- Olha, tem um modelo normal deste aparelho e um modelo da Pitty. Eu NÃO quero o celular da Pitty, OK?.
- Sem problemas, senhora. Que cor a senhora gostaria de estar adquirindo?
- Qualquer cor, desde que não seja o da Pitty. Se você me mandar um celular da Pitty, eu devolvo.
- Ok, senhora. Poderia estar confirmando alguns dados, por favor?
- Claro.
Quatro dias depois, Clarissa recebeu do zelador de seu prédio um pacote. Ao abrir, deu de cara com o rosto cheio de piercings da Pitty na caixa. Para seu alívio, era apenas a ilustração da embalagem, pois o aparelho, em si, não tinha sequer uma nota das músicas da cantora baiana.
Mas a lua-de-mel com o novo celular durou apenas 72 horas. Um dia, não mais que de repente, Clarissa viu a tela de seu aparelho ficar totalmente preta. Culpou a Pitty pelo azar e ligou novamente para o call center. O atendente informou que não poderia "estar fazendo" nada e que ela deveria "estar procurando" a assistência técnica do fabricante, onde ficou sabendo que não teria como deixar o celular para consertar, pelo fato de não ter o que chamaram de "carta de doação".
No balcão da assistência, Clarissa argumentou:
- Mas eu não comprei esse celular, moça. Eu ganhei no programa de fidelidade, aquele troço de pontos, sabe?
- E eles não te enviaram uma carta de doação?
- Não. Eles me enviaram o aparelho, que acho que funciona melhor que uma carta, não? Bem, funcionava...
- A senhora tem que ligar na operadora e pedir essa carta. Do contrário, não posso aceitar seu celular.
Naquele mesmo dia, Clarissa voltou a ligar para o call center:
- Boa noite, em que posso ajudá-la?
- Eu ganhei um celular de vocês pelo programa de pontos, mas ele quebrou. Vocês me mandaram procurar a assistência, que, por sua vez, me pediu a nota fiscal e eu...
- A senhora não recebeu a carta de doação?
- Não.
- Bom, eu posso estar enviando para a senhora num prazo de cinco dias úteis...
- E eu vou ficar sem celular uma semana?
- Ou a senhora pode estar se dirigindo a uma de nossas lojas para pegar na hora.
- Ótimo. Obrigada, boa noite.
Clarissa esperou chegar o sábado, para ir com mais calma à loja da operadora. Por já conhecer os prazos da assistência técnica, resolveu levar também, para a loja, seu antigo aparelho, para reabilitá-lo e não ficar sem celular enquanto o novo estivesse no conserto.
Passadas algumas horas na loja, Clarissa, finalmente, conseguiu a nota fiscal do celular e correu para levá-lo logo à autorizada. Deixou o "aparelho da Pitty" por lá e foi embora sabendo que não o veria mais por, pelo menos, dez dias, prazo dado pela atendente apenas para o diagnóstico do problema.
Após dois meses aguardando a prometida ligação da autorizada, Clarissa decidiu, ela própria, ligar. A atendente pediu a ordem de serviço e informou:
- Seu celular está pronto há mais de um mês e meio, senhora.
- E por que vocês não me telefonaram?
- Nós telefonamos.
- Em que número?
- No número tal...
- É, esse é o telefone da minha casa.
- Ninguém atendeu.
- É que eu trabalho o dia todo. Por que vocês não ligaram no meu celular?
- Nós não telefonamos para celular, senhora. Política da empresa.
E Clarissa atingiu seu primeiro pico de irritação. Como pode uma empresa que faz assistência técnica para aparelhos de celular não ligar para números de celular? Mesmo assim, foi buscar seu "Pittyfone" e ligou para o call center da operadora novamente. Após explicar toda sua saga, ouviu do atendente:
- Senhora, não poderei estar habilitando seu aparelho. A senhora precisará estar se dirigindo a uma de nossas lojas
- Mas eu já fiz isso uma vez, só desabilitei porque ele quebrou e...
- Por isso mesmo, senhora. Nós só habilitamos por telefone na primeira vez. Depois, é preciso ir a uma loja da operadora munida da nota fiscal e um documento de identificação, por questões de segurança...
Clarissa, então, resolveu jogar sua última cartada:
- Então eu quero cancelar essa porcaria. Já deu tudo errado desde o começo, eu não tenho tempo de ir a uma loja e só estou habilitando pela segunda vez porque vocês me mandaram uma droga de aparelho que quebrou em três dias!
E num tom para lá de insolente, o atendente respondeu perguntando:
- A senhora está dizendo que vai cancelar uma linha porque não tem tempo??!!! É isso mesmo que a senhora está me dizendo?!
Minha colega blogueira, logicamente, voltou a se irritar e bateu o telefone na cara do operador.
Passadas duas semanas, com a cabeça mais fria, dirigiu-se novamente à loja da operadora, para reabilitar o celular. E desta vez, sem apresentar a nota fiscal, ou sequer uma identificação, conseguiu ser atendida de forma decente.
E graças a uma atendente que não fez mais que sua obrigação, Clarissa, agora, tem – e usa – um celular da Pitty.
Mas volto hoje contando uma história sensacional, de uma coleguinha que, ao contrário de mim, já conseguiu fazer alguns trocados a mais tendo um blog como ponto de partida e na qual devo, inclusive, me espelhar. Trata-se de Clarissa "Clara McFly" Passos, uma das três autoras do "Garotas que dizem Ni", blog que está no ar desde 2003 e cujas histórias já viraram livro.
No post "Desventuras em série - Partes I e II", Clarissa conta a odisséia a que foi submetida para trocar um simples celular. Para variar só um pouquinho, como em qualquer situação em que um consumidor leva na cabeça, havia um ou mais operadores de telemarketing envolvidos.
O celular de Clarissa sofria de um problema conhecido da grande maioria dos aparelhos com mais de, pelo menos, um ano e meio de uso: bastavam duas ou três ligações mais longas para a bateria morrer. A blogueira, então, ligou para o atendimento de sua operadora, explicou o problema e ouviu do atendente que de acordo com a quantidade de pontos que tinha, poderia escolher entre alguns modelos disponíveis no site.
Após muito pesquisar, escolheu um aparelho idêntico ao um que tinha como principal mote de venda um conteúdo exclusivo da Pitty. E ligou de volta para o call center.
- Oi. Me mandaram escolher um aparelho para trocar pelos pontos... Eu quero o aparelho tal.
- Pois não, senhora.
- Mas...
- Pois não?
- Olha, tem um modelo normal deste aparelho e um modelo da Pitty. Eu NÃO quero o celular da Pitty, OK?.
- Sem problemas, senhora. Que cor a senhora gostaria de estar adquirindo?
- Qualquer cor, desde que não seja o da Pitty. Se você me mandar um celular da Pitty, eu devolvo.
- Ok, senhora. Poderia estar confirmando alguns dados, por favor?
- Claro.
Quatro dias depois, Clarissa recebeu do zelador de seu prédio um pacote. Ao abrir, deu de cara com o rosto cheio de piercings da Pitty na caixa. Para seu alívio, era apenas a ilustração da embalagem, pois o aparelho, em si, não tinha sequer uma nota das músicas da cantora baiana.
Mas a lua-de-mel com o novo celular durou apenas 72 horas. Um dia, não mais que de repente, Clarissa viu a tela de seu aparelho ficar totalmente preta. Culpou a Pitty pelo azar e ligou novamente para o call center. O atendente informou que não poderia "estar fazendo" nada e que ela deveria "estar procurando" a assistência técnica do fabricante, onde ficou sabendo que não teria como deixar o celular para consertar, pelo fato de não ter o que chamaram de "carta de doação".
No balcão da assistência, Clarissa argumentou:
- Mas eu não comprei esse celular, moça. Eu ganhei no programa de fidelidade, aquele troço de pontos, sabe?
- E eles não te enviaram uma carta de doação?
- Não. Eles me enviaram o aparelho, que acho que funciona melhor que uma carta, não? Bem, funcionava...
- A senhora tem que ligar na operadora e pedir essa carta. Do contrário, não posso aceitar seu celular.
Naquele mesmo dia, Clarissa voltou a ligar para o call center:
- Boa noite, em que posso ajudá-la?
- Eu ganhei um celular de vocês pelo programa de pontos, mas ele quebrou. Vocês me mandaram procurar a assistência, que, por sua vez, me pediu a nota fiscal e eu...
- A senhora não recebeu a carta de doação?
- Não.
- Bom, eu posso estar enviando para a senhora num prazo de cinco dias úteis...
- E eu vou ficar sem celular uma semana?
- Ou a senhora pode estar se dirigindo a uma de nossas lojas para pegar na hora.
- Ótimo. Obrigada, boa noite.
Clarissa esperou chegar o sábado, para ir com mais calma à loja da operadora. Por já conhecer os prazos da assistência técnica, resolveu levar também, para a loja, seu antigo aparelho, para reabilitá-lo e não ficar sem celular enquanto o novo estivesse no conserto.
Passadas algumas horas na loja, Clarissa, finalmente, conseguiu a nota fiscal do celular e correu para levá-lo logo à autorizada. Deixou o "aparelho da Pitty" por lá e foi embora sabendo que não o veria mais por, pelo menos, dez dias, prazo dado pela atendente apenas para o diagnóstico do problema.
Após dois meses aguardando a prometida ligação da autorizada, Clarissa decidiu, ela própria, ligar. A atendente pediu a ordem de serviço e informou:
- Seu celular está pronto há mais de um mês e meio, senhora.
- E por que vocês não me telefonaram?
- Nós telefonamos.
- Em que número?
- No número tal...
- É, esse é o telefone da minha casa.
- Ninguém atendeu.
- É que eu trabalho o dia todo. Por que vocês não ligaram no meu celular?
- Nós não telefonamos para celular, senhora. Política da empresa.
E Clarissa atingiu seu primeiro pico de irritação. Como pode uma empresa que faz assistência técnica para aparelhos de celular não ligar para números de celular? Mesmo assim, foi buscar seu "Pittyfone" e ligou para o call center da operadora novamente. Após explicar toda sua saga, ouviu do atendente:
- Senhora, não poderei estar habilitando seu aparelho. A senhora precisará estar se dirigindo a uma de nossas lojas
- Mas eu já fiz isso uma vez, só desabilitei porque ele quebrou e...
- Por isso mesmo, senhora. Nós só habilitamos por telefone na primeira vez. Depois, é preciso ir a uma loja da operadora munida da nota fiscal e um documento de identificação, por questões de segurança...
Clarissa, então, resolveu jogar sua última cartada:
- Então eu quero cancelar essa porcaria. Já deu tudo errado desde o começo, eu não tenho tempo de ir a uma loja e só estou habilitando pela segunda vez porque vocês me mandaram uma droga de aparelho que quebrou em três dias!
E num tom para lá de insolente, o atendente respondeu perguntando:
- A senhora está dizendo que vai cancelar uma linha porque não tem tempo??!!! É isso mesmo que a senhora está me dizendo?!
Minha colega blogueira, logicamente, voltou a se irritar e bateu o telefone na cara do operador.
Passadas duas semanas, com a cabeça mais fria, dirigiu-se novamente à loja da operadora, para reabilitar o celular. E desta vez, sem apresentar a nota fiscal, ou sequer uma identificação, conseguiu ser atendida de forma decente.
E graças a uma atendente que não fez mais que sua obrigação, Clarissa, agora, tem – e usa – um celular da Pitty.
5 comentários:
Olá, Raphael
seu blog lava a alma da gente. Costumo dizer que o telemarketing e a terceirização - especialmente dps serviços públicos - são os males do século XX.
Aproveito pra relatar um fato deveras interessante. Sou correntista do Santander (graças ao nosso "adorável" alcaide Cesar Maia) e recebi ligações todos os dias, inclusive no celular, inclusive à noite, inclusive nos fins de semana...
Bem, fui ao Banco pra reclamar de umas tarifas (outra história incrível) e comentei sobre esse bombardeio de telefonemas. Pois a gerente, com apenas alguns cliques, me disse: Pronto, já cancelei as ações de telemarketing. Por que não me avisaram disso antes??? Reclamem com seus Bancos!!
Abração. Faça-me uma visita no www.tecelan.blogspot.com
Teresa Cristina
Oi, Raphael! Adorei o blog... realmente não há nada mais irritante do que maus atendentes de telemarketing hehe!
Beijos
Patricia (Stella Barros)
Recolho a minha pedra. Até porque ela pode ser útil no próximo telefonema de um telemarketeiro qualquer.
Oi, Rapha! Hahaha, adorei a recontagem da minha história. Agora eu rio, mas na hora quis chorar... :)
Valeu!
Ficou ótimo a narração dos fatos.
Digo ótimo para quem lê, pois é engraçadíssimo, mas vivenciar tal situação deve ser super extressante...
Valeu,
All3X
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