Não pensem, queridos leitores, que o "Senhor, estarei te irritando..." acabou, ou está arrefecendo. Como falei, em posts anteriores, estou de férias e, após dez dias na roça, entrei de cabeça numa mudança de residência. Acreditem, ontem mesmo, não sabia em qual das dezenas de caixas o meu notebook estava.
As férias continuam até o dia 12 de maio e a mudança para a casa nova está em vias de terminar apenas a sua primeira etapa. Isso significa que o transporte de tudo o que estava num lugar para o lugar novo está quase completo, mas ainda falta montar e arrumar tudo de novo. Ou seja, descanso no resto das férias é algo que passará longe deste blogueiro.
Mas o mundo continua girando. O Mengão está aí nas cabeças, na briga por mais um título; parlamentares seguem torrando nosso suado dinheirinho com gastos particulares - esquecem-se que apenas eles, e não seus familiares, ocupam os cargos públicos para os quais foram eleitos -; os “indianos” continuam dançando naquela novela da Globo e o telemarketing, como não poderia deixar de ser, não deixa de me irritar.
Ontem mesmo, enquanto desmontava um armário, precisei deixar as ferramentas de lado para me irritar com uma atendente da Central de Relacionamento da SKY. Prevendo dores de cabeças com a mudança de endereço – algo que já havia acontecido – e aproveitando para economizar a grana das mensalidades, liguei, no último dia 1° de abril, para cancelar minha assinatura. Porém, talvez influenciados pelo dia, eles pareceram não acreditar muito na minha intenção e em duas oportunidades tentaram me oferecer pacotes promocionais.
O último dia de sinal é hoje e, portanto, numa última e desesperada tentativa de manter o cliente, a Central de Relacionamentos me ligou. Depois de oferecer uma gama de pacotes, ao meu ver, nada vantajosos, foi minha vez de falar:
- Não estou interessado. Aliás, quero saber quando alguém da Central Técnica vai me ligar para agendar a busca do equipamento? Quando liguei para cancelar a assinatura, me disseram que entrariam em contato e, até agora, nada.
- Senhor, a Central Técnica estará entrando em contato. Mas o senhor tem certeza de que não quer assinar um de nossos pacotes promocionais? O senhor pagaria menos e não precisaria, também, pagar a multa de fidelidade.
Foi a hora do blogueiro virar bicho:
- Como é que é???? Que multa??? Ninguém me falou de multa!!!
(Nota do blogueiro: Alguém se lembra de ter visto esse filme?)
- Senhor, quando o senhor contratou o serviço, foi informado que teria um período de fidelidade de dezoito meses. Como sua assinatura é de janeiro de 2008, ainda não terminou o período de fidelidade.
Confesso que não me lembro exatamente quando fiz a assinatura, mas certamente foi em meados de 2007 e não em 2008, como a atendente falou. De qualquer forma, não foi isso que me irritou. Quando liguei, no último dia 1° de abril, para cancelar a assinatura, o atendente não me falou nada sobre a tal multa!
- Senhor, todo mundo sabe que TVs por assinatura têm dezoito meses de fidelidade.
Ah, por que a infeliz foi falar isso?
- Todo mundo sabe? Não tem essa de todo mundo sabe! Eu tenho que ser informado por vocês. E muito bem informado! Onde tem um contrato em que eu concordo com essa fidelidade? Não tem! E por que o outro atendente, que fez o cancelamento da minha assinatura, não me informou dessa multa?
- Senhor, o senhor foi informado sobre essa multa.
- NÃO FUI! ME MOSTRA A GRAVAÇÃO, ENTÃO! EU QUERO A GRAVAÇÃO DA LIGAÇÃO PASSADA, EM QUE FIZ O CANCELAMENTO DA ASSINATURA! O ATENDENTE NÃO ME FALOU DE MULTA!
- Senhor, mas e se ele tivesse falado da multa, qual seria sua atitude?
Ah, que infeliz...
- NÃO INTERESSA QUAL SERIA A MINHA ATITUDE! ELE TINHA QUE TER FALADO!
É tipo assim: não vamos falar da multa, para não irritar o cliente no momento do cancelamento. Ele, certamente, não está cancelando por causa dos nossos belos olhos. Deixamos ele achar que cancelou e ganhamos um certo tempo para nossa competente Central de Relacionamentos entrar na jogada e, com uma conversa mole, ganhar o cara de volta.
Enfim, após muita discussão, foi só o tempo de eu falar que exigia um contato da Central Técnica, para a retirada do aparelho de meu endereço antigo, antes de a atendente agradecer pelo contato e me deixar falando sozinho.
Numa boa, a Anatel dá mole demais para as TVs por assinatura. E elas deitam e rolam em cima do consumidor. Mas, deixa estar. O jornal O Globo “estará recebendo”, em breve, uma cartinha minha.
P.S.: Como sou o autor e já possuo uma camisa, não estou concorrendo na promoção do "Senhor, estarei te irritando...", mas ainda aguardo novas histórias.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Olha a SKY de novo, aí, gente!
Marcadores: Anatel, atendente, irritação, Sky, telemarketing, tvs por assinatura
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Na defesa do consumidor
Mineira de nascença e carioca por escolha, a jornalista Nadja Sampaio já alcançou a maioridade num assunto em que este humilde blog ainda tenta engatinhar. Dentro de seus 30 anos de carreira, os 19 mais recentes têm sido dedicados à coluna Defesa do Consumidor do jornal O Globo, um espaço já citado por aqui, algumas vezes, como um oásis para pessoas perdidas num deserto em que o desrespeito atinge níveis mais insuportáveis que a temperatura do Saara em pleno meio-dia.Aos 51 anos de idade, Nadja é mãe de três filhas e dona de uma Kombi Safári 1993 – um motor home carinhosamente batizado de “Farofa”, que já andou mais de 50 mil quilômetros pelo Brasil e até mesmo alguns cantos da Argentina. Viajante experiente, ela também tem percorrida uma longa estrada na carreira jornalística, de 1979 para cá, com paradas na histórica revista Cruzeiro (em sua última fase), além de Fatos & Fotos, O Fluminense, Jornal do Commercio e até mesmo na revista Contigo. Também esteve em algumas assessorias de imprensa.
No jornal O Globo, fincou raízes em sua segunda passagem, que já dura quase 20 anos. A primeira foi em 1986. “Eu cobria abastecimento, justamente na época dos congelamentos, da falta de carne e de frango, das enormes tabelas... Voltei em 1990, a princípio para cobrir comércio exterior, mas fiquei pouco tempo e, no fim daquele mesmo ano, comecei na Defesa do Consumidor, onde estou até hoje”, conta Nadja.
A coluna começou na editoria Rio, em meia página, em 1981. A partir de 1990, com a promulgação do Código de Defesa do Consumidor, passou para a editoria de Economia, já como uma página inteira por semana. Nadja, que então trabalhava como repórter, assumiu o cargo de editora em 2002, quando a coluna ganhou um espaço a mais, todas as quartas-feiras e domingos.
Enquanto o teor das matérias da coluna serve de alerta aos consumidores, a seção “Mala Direta” presta um serviço que vai além da informação. Num pequeno espaço, para um universo das cerca de quatro mil cartas que chegam por mês, a coluna publica reclamações de clientes e as respostas das respectivas empresas.
Quer saber como funciona? Bom, o consumidor entra em contato com o jornal através do Globo Online e, no máximo em um dia, recebe a resposta padrão:
(Nota do blogueiro: exemplo de uma reclamação que fiz, recentemente, sobre a Sky)
Prezado (a) leitor(a) Raphael Crespo
A seção "Defesa do Consumidor" do jornal O GLOBO recebeu sua reclamação e entrou em contato com a empresa citada (SKY). Ela tem um prazo de 15 dias úteis para o envio da resposta. Após este prazo se ela não se pronunciar, cobraremos e tão logo esta resposta chegue, enviaremos pelo e-mail informado.
Qualquer comunicação deve ser feita pelo site www.oglobo.com.br
Agradecemos sua atenção.
Defesa do Consumidor
Jornal O GLOBO
Referência: ... (número da reclamação)
Gerência de Relacionamento com o Cliente
Elen Rosi / Ana Carolina Alves/ Ieda Garcia
Rua Irineu Marinho, 70 - 3º andar
Rio de Janeiro - RJ.
CEP: 20233-901
Tel.: 21- 2534-5200
Site: www.oglobo.com.br
De acordo com Nadja, não há um contato tão direto com Elen Rosi, Ana Carolina e Ieda Garcia, as responsáveis pelo setor. Mesmo assim, ela e a repórter Luciana Casemiro costumam ter acesso às cartas, que, não raramente, podem virar pautas para a coluna. A editora explica um pouco sobre a interação entre os dois setores:
“Infelizmente, é uma relação esquizofrênica. Como elas são da parte administrativa do jornal, não podem trabalhar na redação, o que é uma pena. Elen e Ana Carolina fazem o tratamento das cartas, mandam as reclamações para as empresas, passam as respostas para os consumidores, e cobram das empresas que não respondem. Elas também classificam as cartas por setores e por problemas. Como os problemas vão mudando, seria necessário que estivéssemos sempre revendo a lista, mas isso não é possível”, conta.
A Gerência de Relacionamento com o Cliente fica em outro prédio, e funciona num horário diferente da redação. A cada ano, segundo Nadja, aumenta em mais ou menos mil cartas, o número total de reclamações que chegam à Defesa do Consumidor, o que torna a quantidade de trabalho imensa.
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“Com isso, não há tempo para rever a lista de reclamações, treinar melhor o conceito de cada tipo de problema para que a classificação fique sem erros. Eu não tenho nenhum poder sobre elas, então não tenho como reclamar de alguma coisa e criar uma rotina para elas. São trabalhos bem separados, mas elas prestam serviço para a Defesa do Consumidor. Nos falamos por e-mail. Com certeza, se elas ficassem mais perto de mim, teríamos mais idéias para matérias, e seria mais fácil monitorar um problema desde seu nascedouro. Para buscar estas pautas e tendências, costumamos, aqui na redação, ler as cartas”, complementa Nadja.
O índice de retorno das empresas às reclamações enviadas pela Defesa do Consumidor chega a 90%. Nadja considera “ter um problema resolvido” um conceito subjetivo, mas crê que, assim como o índice de reclamações respondidas é alto, “o nível de solução também deve ser”.
“Tentamos publicar, a cada seis meses, os nomes das empresas que não respondem. Mas é complicado, porque só conseguimos listar as 10 empresas que menos responderam, pois damos, a elas, o direito de resposta na matéria. Como não é possível ouvir todas as empresas, o jornal não publica, nem no Globo Online, os nomes das outras empresas. Em minha opinião, seria muito bom que o leitor tivesse acesso a esta lista, mas, por enquanto, o jornal não tem uma solução para isso”, conta a jornalista.
Entre as mais de quatro mil reclamações mensais, Nadja afirma não ter como precisar o percentual de problemas com serviços de telemarketing, pois “de uma maneira geral, a pessoa reclama de uma empresa e, juntamente com o problema, reclama do call center”. Acostumada a lidar com o tema, ela encerra contando o que acha do setor:
“O serviço de venda de telemarketing até que é bom. O que é ruim é o setor de atendimento. As empresas ainda estão muito focadas na venda e ainda não contabilizaram o valor do bom atendimento para as suas marcas. A nova regulamentação está ‘pegando’, porque o consumidor quer e porque o governo resolveu ter pulso firme nesta questão e está fiscalizando e multando as empresas que não se mexem para cumprir o decreto”, finaliza.
Marcadores: call center, consumidor, defesa, O Globo, Sky, telemarketing
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Não leia amanhã no Globo
Após ler, no post "Salvo pelo Globo", a resolução de um problema que tive com a Sky, Rodrigo Mattos resolveu recorrer ao jornal para cobrar providencias junto à Anatel, sobre um caso também relatado por aqui, no post "Consumidor sem pai nem mãe".
Xingado pela atendente Larisse, numa ligação que fez no mês passado, para reclamar da Oi/Telemar, meu leitor, perplexo, desligou o telefone. Não é para menos. Se o órgão que deveria fiscalizar e proteger os clientes de empresas de telecomunicações o trata mal, a quem resta recorrer?
Pois Rodrigo, seguindo os conselhos do "Senhor, estarei te irritando...", entrou em contato com O Globo e eles repassaram a reclamação à Anatel. E não é que ontem, exatamente um dia após o e-mail enviado para o jornal, ele recebeu uma ligação direto de Brasília, de uma supervisora regional do órgão?
Ela informou que a gravação do atendimento em que a operadora xingou Rodrigo chegou a ser tocada numa reunião de diretoria e que o caso foi levado muito a sério. Larisse, como não poderia deixar de ser, foi desligada da empresa e a Anatel passou desculpas formais pelo ocorrido.
Rodrigo agradeceu o contato e perguntou:
- Já que você ouviu a gravação, me diga: de algum modo eu fui grosseiro ou desrespeitoso com a atendente, para que uma atitude como aquela se justificasse?
A resposta foi política, mas justa:
- Não, senhor. De forma nenhuma. E mesmo que tivesse sido, não justifica o que ela fez. A Anatel recebe ligações de consumidores já estressados com as operadoras. E, justamente por isso, as atendentes são treinadas e devem estar preparadas para isso.
A supervisora, então, perguntou se o problema com a Oi, motivo da fatídica ligação, havia sido resolvido. Ao ser informada que o imbróglio continuava, ela pediu algumas horas para ver o que poderia fazer e desligou. Exatamente uma hora depois, Rodrigo recebeu uma chamada da Oi e, após "estar confirmando" alguns dados, teve seu caso resolvido.
Para as empresas, o importante é que a gente "Não leia amanhã no Globo".
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Salvo pelo Globo
De volta ao assunto que interessa, aproveito para contar o desfecho do problema que relatei no post do dia 9 de dezembro - "Sky experience ou bad trip" - e para elogiar um serviço bem bacana prestado pela coluna Defesa do Consumidor, do jornal O Globo.
No dia 16 de dezembro, entrei no site do jornal O Globo e escrevi para a coluna, para denunciar o caso. No dia seguinte, recebi a confirmação de que minha reclamação fora enviada à Sky. Pois exatos sete dias depois, mais precisamente na tarde do dia 23 de dezembro, recebo uma ligação no meu celular:
- Boa tarde. Falo com o senhor Raphael?
Com roupas espalhadas pela cama e uma mala por fazer - para uma temporada de Natal em Belo Horizonte -, respondo:
- Sou eu, mesmo.
- Aqui é da Sky. Estamos ligando para informar que o senhor estará sendo isentado da cobrança das próximas mensalidades do canal Premiere Futebol Clube, atendendo a uma reclamação enviada pelo jornal O Globo.
- Ok.
- No entanto, gostaria de informá-lo que o mês de dezembro já havia sido cobrado, antes de recebermos a reclamação...
(Nota do blogueiro: A reclamação, na verdade, foi feita logo no início de dezembro, quando liguei para cancelar o pacote, mas, como a empresa não tem o menor respeito pelo consumidor, só levou em consideração a reclamação feita dias depois, através do jornal)
- Por isso, a cobrança será feita normalmente em sua fatura de cartão de crédito no próximo mês, mas o valor será descontado em sua fatura do mês de fevereiro, quando o senhor pagará apenas tanto. (Cinquenta reais e uns quebrados)
- Tudo bem.
- Podemos responder ao jornal O Globo que sua solicitação foi atendida.
- Pode.
- A Sky agradece a preferência. Tenha uma boa tarde.
Enfim, foi a segunda vez que recorri ao excelente serviço prestado pelo jornal O Globo - a primeira está relatada no post "
Marcadores: consumidor, defesa, O Globo, Sky
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Sky experience ou bad trip?
Aliás, os dois craques citados fizeram parte de um timaço do Flamengo, que me levou muito ao Maracanã, de mãos dadas com meu saudoso pai. A escalação daquela verdadeira seleção de 1987 eu nunca vou esquecer: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Aílton e Zico; Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho. Estive em seis jogos daquela campanha do tetra brasileiro, inclusive na final contra o Internacional.
Naquela época, não tinha pay-per-view. Portanto, para acompanhar os jogos disputados no Rio de Janeiro, só mesmo indo ao estádio ou ouvindo no radinho de pilha. Hoje, a realidade é diferente. Tem futebol na TV a qualquer momento. Ao mesmo tempo, a realidade do Flamengo está muito longe de ter o brilhantismo de 1987, mas é melhor que a do final dos anos 90 e início do presente século, quando a única certeza era a da briga contra o rebaixamento.
Pois a nova história de irritação do blogueiro que vos fala teve seu ápice ontem à noite, mas começou logo após o show proporcionado pela torcida rubro-negra e pelo próprio time no Campeonato Brasileiro do ano passado, com aquela belíssima arrancada da zona de rebaixamento para a classificação à Taça Libertadores.
Empolgado com a possibilidade real de ver meu querido time ganhar o hexacampeonato este ano, decidi que assinaria o pacote do Premiere Futebol Clube. Na verdade, só concretizei o desejo de, pela primeira vez, ver todos os jogos do Flamengo no conforto de meu lar em maio passado, dias antes do início do Campeonato. Ao longo dos meses que se seguiram, passei ótimas tardes em companhia de meu irmão e minha cunhada, rubro-negros tão fanáticos quanto eu; mandei o conforto às favas e fui ao Maracanã em alguns jogos e quase quebrei a casa inteira assistindo a algumas atuações irritantes do time. Mas, de qualquer forma, valeu cada centavo a mais na fatura da Sky.
Terminado o campeonato, e vendo a nuvem negra que parece rondar a Gávea, prometendo um ano de 2009 de volta à briga contra o rebaixamento, resolvi cancelar o pacote. Só não contava com o fato de que a minha vontade, para a Sky, não conta nada, como prova um post de meses atrás, com uma outra irritação que passei com a mesma empresa.
Liguei para o 0800 701 97 00, para tentar deixar meu orçamento para 2009 livre de 50 e poucos reais mensais, mas a Sky, calcada na má fé da chamada "fidelidade", não deixou.
- Boa noite, meu nome é "Alvimar Fernando", falo com o senhor Raphael?
- Isso.
Cabe dizer que, antes de entrar o menu para falar com o atendente, uma gravação perguntou se o telefone cadastrado estava correto e eu confirmei apertando "dois". Até aí, tudo ok. No entanto, nada de número do protocolo logo no início do atendimento, como manda a lei.
- Em quê posso ajudá-lo, senhor, Raphael?
- Eu quero cancelar o pacote Premiere.
- Pois não, senhor. Poderia me confirmar o número do telefone e o seu e-mail?
Eu já havia confirmado o telefone, mas tudo bem. Falei.
- Ok, senhor, um momento...
Após alguns segundos:
- Senhor Raphael, o senhor ainda cumpre os dez meses de fidelidade do pacote. O cancelamento do serviço antes desses dez meses implica no pagamento de uma uma multa no valor de seis mensalidades.
O sangue subiu!
- Como é que é??? Nada disso! Eu quero cancelar agora! Não tem essa de multa, não! Em nenhum momento eu recebi nada dizendo que eu seria obrigado a ficar dez meses com o pacote!
- Não me lembro de nada disso! Eu quero uma prova de que fui informado! Me manda o contrato por e-mail! Onde está escrito que eu fui informado de que estaria preso por dez meses???
- Senhor, se o senhor desejar, podemos cancelar o serviço, mas a multa será cobrada.
- Não vai cobrar nada! Isso é um absurdo. Eu quero uma prova de que fui informado. Não recebi nada por e-mail na época. Cadê o regulamento para essa assinatura. Eu quero cancelar e não vou pagar multa nenhuma!
Já extremamente grosseiro, o atendente falou:
- Ok, senhor, vou cancelar agora o pacote...
- Opa! Nada disso! Não mandei cancelar nada! Você só vai cancelar se for sem a multa!
- Me passa para um supervisor seu!
- Um momento...
Após alguns segundos de "Assine o BBB 9" - apesar de a nova regulamentação prever que "é vedada a veiculação de mensagens publicitárias durante o tempo de espera para o atendimento, salvo se houver prévio consentimento do consumidor" - um novo atendente entra na linha, novamente sem dar o número do protocolo:
- Boa noite, em quê posso ajudá-lo?
Tive que repetir tudo. Tudo bem que eu pedi para falar com um superior, mas a nova lei diz que o primeiro atendente deve estar apto a realizar qualquer solicitação e prestar todo e qualquer tipo de esclarecimento. Ou seja, não deveria nem ter me transferido.
- Senhor, realmente, o senhor se encontra no período de fidelidade e não temos como cancelar o serviço sem que seja cobrada uma multa.
- Então me apresenta uma prova! Eu quero a gravação! Não recebi nada por e-mail, não me lembro de ninguém me falando desse período de fidelidade! Eu quero a gravação!
- Senhor, a SKY só libera a gravação se achar necessário.
- Pois eu estou dizendo que é necessário! Quer dizer que eu estou preso a um contrato que não existe, que foi feito de boca e que só vocês têm a prova de que isso me foi falado? Isso é agir de má fé! Eu quero uma prova de que fui informado sobre esses dez meses!
Durante alguns minutos, o jogo de nervos continuou. Consegui, finalmente, um número de protocolo, o nome do atendente e falei que ele não poderia desligar na minha cara. Disse que teria a noite toda e não encerraria a ligação sem cancelar o pacote. Depois de botar a culpa na Globosat e de muito ele falar que não poderia deixar de cobrar a multa, que não teria como liberar a gravação e de reafirmar que, realmente, não existe nada por escrito, provando que eu sou obrigado a manter o serviço por dez meses, resolvi chutar o balde:
- Então cancela tudo! Não quero mais a assinatura da Sky.
- Ok, senhor. Vou lhe passar para a nossa Central de relacionamento, para ver se eles podem lhe fazer alguma oferta.
Mais uma transferência ilegal!
- Central de relacionamento Sky, em quê posso ajudá-lo?
Tive que repetir tudo de novo. E insisti:
- Eu quero uma prova de que me foi passada a obrigatoriedade dessa fidelização!
E o bravo atendente se manteve fiel à patifaria da tal fidelidade. E chegou a soltar pérolas:
- O senhor é comerciante, ou deve ser estudante, sabe como essas coisas funcionam?
- Eu só estou tentando fazer o senhor entender. O senhor sabe que foi falado, na assinatura do pacote, sobre esse período de dez meses.
- Agora você está me chamando de mentiroso???? Não me foi falado nada! Se foi, eu quero uma prova! Eu quero essa ligação.
E a discussão continuou. O atendente localizou o número do protocolo da ligação feita em maio, quando assinei o pacote, e disse que faria uma solicitação pela gravação. Me fez aguardar vários minutos e voltou dizendo que "por ordem da presidência", não seria liberada nenhuma gravação. Respondi:
- Então a gente se vê no Procon!
E desliguei.
Honestamente, não me lembro de ter recebido a informação de que estava preso por um "contrato de boca". Podem até ter falado, mas não me lembro.
Na hora de vender, é mole! O que acontece é que, na verdade, a gente compra um pacote com preço fixo, dividido em 10 parcelas. Mas não é isso que nos passam. Fidelização é o eufemismo. A propaganda é: "Assine o Brasileirão e ganhe o campeonato estadual!". Lembro-me do atendente repetindo várias vezes as vantagens do pacote, mas realmente não me lembro de ter ouvido que ficaria preso a ele por dez meses.
E a única prova de que estou preso a um contrato de fidelidade é a palavra da Sky, que garante ter me passado, de boca, numa ligação, essa informação.
Má fé é pouco!
O jeito, agora, é correr atrás e ver o que dá para fazer. Confesso que não sei. Se não conseguir nada, espero que, pelo menos, o Flamengo me dê uma alegria e conquiste o tricampeonato estadual, já que vou ter que pagar pelo pacote, mesmo.