quarta-feira, 18 de junho de 2008

Vou estar me conectando...

Nos tempos de hoje, internet de banda larga é algo indispensável para qualquer um que pretende ter um bom acesso à grande rede, mesmo que numa conexão doméstica. Mas a dificuldade em encontrar um serviço, principalmente quando se mora num lugar com poucas opções, pode acabar gerando uma grande fonte de atritos na relação cliente-operador de telemarketing.

Essa história aconteceu comigo!

Sou morador de um bairro antigo do Rio de Janeiro, conhecido por ter abrigado a Família Real e que, até hoje, mantém algumas estruturas dos tempos do Império, como tubulações de água e esgoto, que até funcionam, mas servem de desculpa para a falta de investimento em melhorias. Esquecido pelo Rio-Cidade de nosso "Prefeito dos Factóides", a vizinhança, relativamente tranquila para se morar, também é carente de serviços e comércio.

O único grande supermercado da região fechou há alguns anos e se encontra abandonado até então; a operadora de TV a cabo nunca espalhou seus equipamentos pelo bairro, o que deixa os moradores reféns dos canais abertos ou das TVs digitais via satélite - aliás, fontes inesgotáveis de irritação, que serão abordadas por aqui em posts futuros. Em termos de internet rápida, a única opção relativamente satisfatória é a oferecida pela empresa responsável pela telefonia na cidade. O nome do serviço indica velocidade, mas, paradoxalmente, conexão e atendimento costumam andar a passos de tartaruga. Pelo menos para os vizinhos da mansão que, em tempos áureos, abrigou a Família Imperial Brasileira.

Para padronizar, já que, dificilmente, eu lembraria dos nomes dos opreradores que me atenderam, os profissionais, em todos os posts, terão nomes compostos e se chamarão "alguma coisa Fernando" - por motivos, "gerundicamente", óbvios.

- Boa noite, meu nome é Osmar Fernando. Qual é o seu nome?
- Meu nome é Raphael.
- Pois, não, senhor Raphael. Como posso estar ajudando o senhor?
- Eu gostaria de pedir a instalação de seu veloz serviço de banda larga em minha linha telefônica.
- Pois, não, senhor. Antes, porém, eu gostaria de estar confirmando alguns dados do proprietário da linha.

E tome CPF, identidade, número da matrícula na academia, data de nascimento, data de casamento, data da primeira menstruação - mas eu sou homem, eu não menstruo! - entre outros dados...

- Ok, senhor, os dados conferem. O que o senhor deseja?
- Eu já falei, quero pedir a instalação de seu veloz serviço de banda larga em minha linha telefônica.
- Entendido, senhor. Que velocidade o senhor deseja?
- Quero velocidade de 2 Mb.
- Ok, senhor. Peço que o senhor esteja aguardando por um momento, pois estarei verificando se sua linha comporta a velocidade de 2 Mb.
- Ok.

Uma musiquinha irritante dá lugar à voz de Osmar Fernando.

- Senhor, sua linha tem disponibilidade para a velocidade de 2 Mb. Podemos estar procedendo a liberação do serviço?
- Sim, por favor.
- Um momento, por favor.

Mais musiquinha irritante...

- Senhor, já fizemos a abertura do pedido, em dois dias um técnico irá a sua residência, para fazer a instalação.
- OK.
- O senhor pode estar anotando o número do protocolo de atendimento?
- Pode falar
- 2391894857982010848209... Mais alguma coisa?
- Não, só isso.
- Desejamos uma boa noite.
- Boa noite.

Quase passado o final do horário comercial do segundo dia, após minha esposa ficar trancada em casa esperando o técnico que poderia aparecer, uma nova ligação foi feita, junto com a desculpa de que o técnico havia ficado preso em outras instalações marcadas anteriormente e a promessa de que, no dia seguinte, sem falta, teríamos o serviço já em funcionamento.

Vã ilusão. Passado mais um dia de minha esposa em cárcere privado, sem poder sair para não perder a chance de, caso o técnico aparecesse, ter, finalmente, realizado o sonho da internet banda larga, volto, na parte da noite, a ligar para o serviço de atendimento ao cliente:

- Boa noite, meu nome é Gilmar Fernando. Qual é o seu nome? - Vem a voz do operador, com um carregado sotaque carioca.
- Meu nome é Raphael.
- Pois, não, senhor Raphael. Como posso estar ajudando o senhor?
- Espero, mesmo, que você possa estar me ajudando...

Neste momento, despejo toda a minha ira, agravada por uma crônica falta de paciência com atendentes de telemarketing.

- Entendo, senhor. Antes, porém, eu gostaria de estar confirmando alguns dados do proprietário da linha.

E vai CPF, identidade, data de nascimento do avô da empregada, número da carteira de trabalho da professora do irmão, entre outros dados.

- Ok, senhor, os dados conferem. Mas não temos como estar resolvendo seu problema por aqui. Vou estar lhe transferindo para outro setor.
- Ok - respondo, já com a revolta virando desânimo e a certeza de que não teria meu problema resolvido.

Musiquinha irritante...

- Boa noite, meu nome é Istive Fernando. Qual é o seu nome? - O sotaque, desta vez, é nordestino.
- Meu nome é Raphael.
- Pois, não, senhor Raphael. O senhor pode estar me confirmando alguns dados?
- Claro...

Passo o número do meu sapato, o número de fios de cabelo de ambas as minhas axilas, a data de morte de meu papagaio, entre outros dados.

- Senhor, os dados conferem. Como posso estar ajudando?

Mais uma vez, contei toda a saga da banda larga que não foi instalada e, desta vez, exigi a presença de um técnico no dia seguinte, sob a condição de que o serviço seria cancelado antes mesmo de começar, caso o profissional não aparecesse.

- Por favor, aguarde um instante.

Musiquinha irritante...

- Senhor, desculpe a demora. O seu pedido de instalação foi feito. Em até dois dias o tecnico estará comparecendo em sua residência.
- Não, você não está entendendo! Eu te falei um dia! Se o técnico não vier amanhã, pode cancelar o serviço.
- Senhor, infelizmente, não temos como estar entrado em contato com o técnico. O sistema lança a ordem de serviço para a central e em dois dias o técnico estará sendo encaminhado a sua residência.
- Vem cá, de onde você está falando?
- De Fortaleza, senhor.
- Quer saber de uma coisa, eu moro no Rio e o carioca que me atendeu não conseguiu resolver meu problema. Não posso acreditar que você, do Ceará, vai resolver - digo, com todo o sangue do corpo já concentrado na minha cabeça, antes de bater o telefone na cara do atendente.

Passados mais uns dias de ligações frustradas, transferências para diversos setores, uma batida de telefone na cara por parte de um dos operadores, finalmente consegui que o serviço fosse instalado.

Daí, foi só constatar que a velocidade dificilmente superava 1Mb, em vez dos 2Mb que eu contratara, para uma nova guerra começar!

5 comentários:

Vinicius Medeiros disse...

Cara, por mais incrível que possa parecer, até porque já passei por inúmeras situações como a sua, recuso-me a emitir qualquer comentário sobre operadores de telemarketing. E por um motivo simples: já estive do outro lado. Sim, assumo sem a menor constrangimento: JÁ FUI OPERADOR DE TELEMARKETING! Raphael, como deve estar pensando aí, já fui xingado, já me mandaram para aquele lugar nada agradável várias vezes e já irritei muita gente e muitas vezes. Trabalhei um ano no telemarketing da finada empresa aérea Rio Sul. Foi meu primeiro emprego e nem na faculdade estava. Era o maior perrengue: saía do colégio voando, almoçava rápído e quase sempre chegava atrasado. Ganhava mal, era chato, mas ao menos passei e vivi momentos engraçados - e outros, claro, nem tanto. Havia um código entre nós operadores: xingou ou falou palavrão, hold no cara. Se insistisse, desligava na cara - e tínhamos apoio do gerente. Certa vez, atendi um cara com uma voz de paraíba muito grande - sotaque forte mesmo - e, com ele, joguei tudo para o lado - ele era uma figura marcante. Então vamos ao diálogo:
- Sobrenome, por favor?
- Lacerda
- Nome, por favor?
- Genival
- Calma aí, o senhor é o Genival Lacerda (que pergunta estúpida!)?
- Sim, senhor.
- Calma aí, Genival Lacerda "dá o cu no salão"?
- Hahahahahahahahaha. Que isso, meu filho. É talco no salão.
- Olha, mais engraçada do que essa, só a "te comia na sala... te comia no chão...".
- É, meu filho, esse gato é danado. O Tico mia em tudo quanto é lugar mesmo (risos).
- "Ela tá de olho é na butique dela..."
- Poxa garoto, você é meu fã mesmo. Sabe todas. Estou impressionado.
- Já te vi muito no Faustão, Gugu... Poxa, é uma honra conhecê-lo. Para onde o senhor quer viajar?
- Para Campina Grande.
- Terra boa... Pena que não voamos para lá.
- Aé, pois Vou fazer uma série de show por lá. Como faço?
- Terá que ver outra companhia, infelizmente.
- Então tá, meu filho, boa tarde.
- Só não jogo talco no salão, por favor!
- Fique tranquilo! Um abraço.

Como pode ver, meu passado me condena. Não posso criticar essa classe trabalhadora. Já estive lá, sei dos perrengues. Mas, como pode ver acima, há situações engraçadas. Essa, por exemplo, jamais vou esquecer.

Anônimo disse...

Adorei, Rapha!!!
Como sempre você é brilhante!
Parabéns pelo blog.
Mande notícias!
Um beijo da sua amiga,
Giovanna Pagnoncelli

Princesa Fê disse...

Rafa, já passei por essa situação várias vezes, inclusive com a Velox..... Péssimo!
bjs

Gostaria de me pronunciar em relação ao Genival Lacerda... tb sou fã dele! Ótimo!!!!
beijos

Anônimo disse...

Oi sou cliente de uma operadora de telefonia móvel há cinco anos sendo que fui de outras em simultânea! E quero contar minhas experiências!
Eu habilitei na cel. de um primo uma promoção só que esta não foi realmente habilitada como deveria uma conta que era para vim 5R$ veio 115R$. Telemarketing: Em que posso ajudar?
Cliente (eu): Eu habilitei a promoção X no cel. tal e este não foi realmente habilitada.
Telemarketing: Senhor não consta em meu sistema!
Cliente (eu): Mais foi habilitado com a atendente de telemarketing tal (ex.: Maria) no horário tal (ex.: 15h30min)
Telemarketing: Senhor não consta em meu sistema!
Cliente (eu): Mas então consulte as gravações.
Telemarketing: Senhor contra fatos não há argumento!
Cliente (eu): Desculpe-me, mas qual foi o fato aqui! Espero q não seja que “não consta em meu sistema!”, pois isso não é um fato!
Telemarketing: Senhor isso é um fato para me!
Cliente (eu): Desculpe-me, mas eu não quero saber o q é fato para você! Cadastre a reclamação!
Telemarketing: Senhor eu não posso, pois não é valida.
Cliente (eu): Você é presidente da Anatel?
Telemarketing: Não!
Cliente (eu): Então obrigado atendente (ex.: Bruno) seu nome é Bruno iniciei a conversa com você tal hora (ex.: 10h30min ate 10h48min). Esse é seu emprego mas não o meu então tenha um bom dia!

Finalização: Cadastrei uma reclamação na Anatel falando do meu problema com a operadora e com o atendente Telemarketing. Para meu espanto o mesmo ligou a mando da operadora, pediu desculpas, disse que passaria por uma semana de treinamento e que eu estava certo.

Conclusão nesse dia eu aprendi uma coisa: Se o Telemarketing falar mais que eu na ligação estou perdendo tempo e ele também, pois ele tem um tempo estipulado por ligação. Seja firme com o atendente (firme e não ignorante)! Seja claro e sucinto com seus problemas. E o principal saiba seus direitos.

Anônimo disse...

Olá senhor!Gostaria de estar informando meu comentário... HAHAHAHAHAAHA Bem...Na verdade, eu não sou adulta, eu só tenho 13 anos, mas mesmo assim já me irritei com os operadores.Foi mais ou menos assim:
Telefone toca...
-Boa tarde, senhora.Gostaria de estar falando com a Dona Fulana...
-Ah, minha mãe não está.
-Oh sim...Poderia me dizer em qual horário seria melhor eu estar retornando a ligação?
-Não sei te dizer... (a mulher acha mesmo que eu vou dar o horário pra ela encher o saco da minha mãe? )
-E algum telefone de contato? Poderia estar me informando?
-Não...
-E com quem eu estou falando?
-Com a filha dela...(sendo que antes já mencionei que era minha mãe)
-A senhora poderia estar anotando algum recado?
-NÃO!EU NÃO PODERIA ESTAR ANOTANDO NADA!POXA!VAI ENCHER OUTRO!JÁ DISSE QUE MINHA MÃE NÃO ESTÁ!

Sei que não é muito legal descontar neles, mas a mulher me irritou...Quer saber minha vida toda, pra falar com a minha mãe? Era muito chata!!! E por que usar esse tempo verbal inexistente? Será que acham que dá um charme? Pois é melhor saberem que é muito mais chato aquele sotaque forçado e esse tempo verbal inexistente, do que se estivessem falando normal... Acho que até aturaria alguns minutos a mais...Às vezes parece até uma gravação!Nunca sei se estou falando com uma pessoa, ou com uma máquina... Brincadeira!Sei que são pessoas, por isso tento aguentar o máximo possível.
Nossa! Foi bom desabafar! Obrigada por estar me escutando,senhor!