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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Vingança cruel

Tomei conhecimento hoje, através de um video que me foi enviado por uma amiga - valeu, Luciana! -, do trabalho de um comediante americano chamado Tom Mabe, conhecido por praticar vinganças contra operadores de telemarketing. O cara, relativamente desconhecido por aqui, é famoso nos Estados Unidos há cerca de uma década.

Em uma de suas brincadeiras mais famosas, ele se hospedou no mesmo hotel em que estavam centenas de profissionais da área, durante uma convenção de telemarketing em Washington D.C., descobriu os andares e quartos dos operadores e começou a ligar, às três horas da madrugada, para vender produtos, como remédios contra a insônia. Cruel!

Pessoalmente, acho que beira mesmo a crueldade o trabalho do cara, mas não deixa de ser engraçado.

No site oficial do comediante, já linkado aqui em cima, e no You Tube há vários videos dele com os trotes. Para quem entende inglês, vale a pena uma navegada. O video abaixo - hilário, por sinal - foi o único que achei com legendas em português, para facilitar a vida dos leitores não familiarizados com o idioma. Nele, Tom, que costuma gravar todas as ligações que recebe por parte de operadores de telemarketing, prega uma peça num pobre coitado que queria apenas vender um serviço.




Hey Tom, how are you doing?

Some days ago you posted me a message in Twitter: “@
raphaelcrespo not sure what you wrote?”.

Certainly, you were talking about this post in my blog.

Well, let me tell you, a little bit, about my blog. It’s called “Senhor, estarei te irritando…” (in english: “Sir, I’ll be irritating you…”). It’s a blog about telemarketing, where I write stories – mine or others – about irritation with telemarketers and also write about anything related to the theme.

I edited the post, with a english version of the text, so you can understand what I wrote. Take a look here!

Cruel revenge
Today, through a video sent to me by a friend - thanks, Luciana! -, I was introduced to the work of an american comedian called Tom Mabe, who known by his revenges against telemarketers.

In one of his most famous pranks, he checked in a hotel where hundreds of telemarketers were hosted, during a telemarketing convention in Washington D.C., found out the floors and rooms where the poor telemarketers were and started to call them at 3 A.M., as if he were a telemarketer himself, to offer products like sleeping pills. Very cruel!

Personally, I think his pranks are on the edge of cruelty, but I can’t avoid to find them extremely funny.

In his official website and on You Tube, there are several videos of Tom’s pranks. For those who understand english, it’s worth to spend some time watching them. The video bellow – which, by the way, is hilarious – was the only one I found with the subtitles in Portuguese. In this video, Tom - who has the habit of recording all the telemarketing calls he receives – “tortures” a poor telemarketer who only wanted to sell him something.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Fonte da irritação

Depois do "Samba da irritação", que fez um sucesso danado, me inspirei em alguns posts bem bacanas do Maurilo Andreas, do ótimo blog Pastelzinho, e resolvi voltar a fazer algumas rimas aqui no "Senhor, estarei te irritando...".

O "redatozim", como o colega blogueiro se classifica, não me convenceu a gostar de berinjela, com seus belos versos infantis, mas duvido que eu não convença alguém de que telemarketing é uma fonte inesgotável de irritação.

Fonte da irritação

Atendente de telemarketing
Eis um tipo engraçado
É explorado e não reclama
E deixa a gente irritado

Trabalha sem condições
Com um carrasco no cangote
Tem metas a cumprir
Vive na base do chicote

O salário é de fome
Mas sua empresa nem liga
Enche os cofres de grana
Capitalistas duma figa

O presidente está de olho
Até assinou um decreto
Mas o serviço ainda é ruim
Isso é líquido e certo

Sempre que falo com um
Procuro não me irritar
As vezes conto até dez
Para a paciência poupar

Mas o atendente não tem culpa
Se demonstra incompetência
Sem treinamento e incentivo
Não adianta inteligência

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Crônica: A candidata a "Mulher Alguma Coisa"

O call center da "Feira" tem sido, de uns tempos para cá, um dos mais movimentados do país, ultrapassando, inclusive, o atendimento de inscrições para o concurso de Miss Brasil.

Localizado no Rio de Janeiro, a "Feira" recebe milhares de ligações por dia, de moças "talentosas" e em busca de um sonho: virar uma "Mulher Alguma Coisa" e aparecer na capa da editoria de fofocas do “portal de um conglomerado qualquer”, como diria o Kibe Loko.

Era uma tarde de terça-feira:

- Boa tarde, meu nome é Osmar Fernando. Com quem estou falando?
- Coé! Aqui é a Khethlynn!
- Pois, não, senhora Khethlynn. Como posso ajudá-la?
- Pô! Tem mó mulão de mulé aí aparecendo na televisão, na internet, nas revistas e ganhando mó grana! Como eu faço pra pegar um bagulho desses daí? Tem um monte de jogador de futebol voltando a jogar aqui no Brasil! O mercado ta bom!
- Senhora, o processo para se tornar "Mulher Alguma Coisa" tem algumas etapas. Inicialmente, para estar realizando seu cadastro de aspirante a "Mulher Alguma Coisa", preciso que a senhora esteja me confirmando alguns dados.
- Já é!

Acostumado com o nível das aspirantes, Osmar Fernando começou com a pergunta mais fácil:

- Nome completo?
- Khethlynn Jennyffer da Silva

Mas, logo depois, o atendente complicou:

- A senhora poderia soletrar?
- Aí, vou te mandar uma letra, não entendi o que tu falou, não!
- Soletrar, senhora. Como se escreve seu nome, letra por letra?
- Ah, tá! Anota aí! É com K de kachorra, depois “h – e – t – h – l – y – n – n”.

"Beleza", pensou Osmar Fernando. O pior já passou. O resto do nome, agora, vai ser fácil:

- E o outro nome, senhora?
- “S – i – l – v – a”.
- Não, senhora, o outro nome.
- Ah, tá! Escreve assim, ó: “d – a".
- Não, senhora, é o outro!
- Ai, maluca. Por que não falou antes? É com “J – e – n – n – y – f – f – e – r".

"Ufa", pensou o atendente.

- Ok, senhora Khethlynn. Qual é o número da sua identidade?
- Ai! Você só faz pergunta sinistra!
- Desculpe, senhora, mas preciso desses dados para estar realizando seu cadastro.
- Pera aí que eu vou pegar!

Nisso, o atendente escuta, ao fundo, a gostosona da vez gritar: "Mãe!!! Cadê a minha bolsa?". E a mãe responde: "Não sei, porra!!!". "Então procura aí pra mim, porra!!! Tô aqui com a mulé da ‘Feira’ no telefone!!!", retrucou Khethlynn ao fundo. E a mãe respondeu: "Puta que te pariu!!! Tua é uma imprestável, mesmo! Ainda bem que tu tem essa bunda, que pode nos render algum dinheiro!".

Osmar Fernando, ouvindo toda a conversa, e acostumado com o nível, deu apenas um sorriso de canto de boca:

- Coé! Anota aí a parada!

Khethlynn passou o número e Osmar Fernando, então, perguntou:

- E seu endereço, senhora?
- Favela da Gruta Molhada, Rua 35, Rio de Janeiro.
- A senhora teria o CEP?
- CEP? É aquele colégio que tem aqui do lado da favela?
- Não, senhora, este é o CIEP. Mas, tudo bem, é apenas para fim de cadastro. Pode deixar que eu levanto o CEP depois. Me passe, por favor, o número do seu telefone.
- Tá bom. Anota aí! (Khethlynn passa o número).
- E sua data de nascimento?
- Dia 12 de fevereiro de 1991.
- Então a senhora tem dezoito anos, certo? Pois é fundamental ser maior de idade.
- É isso aí!

Osmar Fernando pensou: "parece que agora engrenou". Ledo engano.

- Senhora, uma coisa importante, quais são suas medidas, de busto, cintura, quadril e coxa.
- Ah, sei lá, cumpadi! Porra!!! Pera aí!

E o atendente volta a ouvir berros ao fundo: "Ô mãe!!!! Chama lá a Dona Creide, a costureira! Manda ela vim (sic) aqui com a fita pra me medir!". E a mãe responde: "Caralho!!! Você não me dá um segundo de paz! Se você não conseguir uma capa de revista sequer, vai ter que rodar bolsinha na rua!!!"

A essa altura, Osmar Fernando já começava a rir baixinho do outro lado.

Passados alguns minutos, Khethlynn volta e fala:

- Anota aí, maluco: 98 cm de busto, 65 cm de cintura, 112 cm de quadril e 55 cm de coxa.
- Ok, senhora Khethlynn, excelentes medidas! E sua altura?
- Ai! Pera aí!

E ela grita de novo: "Mãe!!! A Dona Creide ainda tá aí???". E a mãe responde: "Meu Deus do céu, menina! O que você quer? Ela tá aqui, sim!"

- Coé, “metrei” aqui. É 1,70 m. O peso eu sei: 67 Kg.
- Ótimo, senhora. Agora, preciso que a senhora anote um e-mail e me mande algumas fotos suas de biquini, de frente e de costas, ok?
- Ah, isso eu tenho um monte! Já usei nuns books que fiz no passado. É para aparecer o rosto?
- Obviamente, senhora.

Khethlynn anota o e-mail e promete passar as fotos nos próximos minutos.

- Ok, senhora. Ficamos aguardando as fotos. Assim que recebermos, voltamos a entrar em contato com a senhora.
- Show! Fui!

Minutos depois, as fotos de Khethlynn chegaram à central da “Feira”. O Net Cat da Favela da Gruta Molhada dá, aos moradores da comunidade, uma conexão mais rápida que a de muitos apartamentos ou escritórios na zona nobre de cidade. Imediatamente, Osmar Fernando ligou de volta:

- Boa tarde, falo com a senhora Khethlynn?
- Coé! Sou eu mermo!

- Recebemos suas fotos, senhora Khethlynn, são ótimas. Agora, na segunda fase do processo seletivo, estaremos entrando em contato com pelo menos três MCs: O MC Xota, o MC Pentelho Oxigenado e o MC Fuck. Os três estão precisando de dançarinas.
- Demorou!!!
- A senhora deverá, em breve, fazer um teste com eles. Mas, antes, gostaria de saber em qual categoria a senhora quer se encaixar? Temos frutas; verduras; legumes; pratos típicos da culinária brasileira; pratos típicos da culinária francesa; cortes de carne; diferentes ervas e tipos de peixes;
- Como assim?
- Por exemplo, senhora, se a senhora deseja ser a "Mulher Abricó" – uma vaga que, por incrível que pareça, ainda temos aberta – a senhora se candidata na categoria “frutas”. Se desejar ser a “Mulher Pato com Tucupi”, a senhora se candidata em “pratos típicos da culinária brasileira”. Entendeu?
- Ah, ta! Tem “Mulher Catuaba”? Porque eu levanto qualquer homem!!!
- Nossa, bem pensado, senhora? Acho que podemos encaixá-la na categoria “diferentes ervas”. Apesar de eu não saber se catuaba é uma erva.

Nesse momento, Osmar Fernando teve que reconhecer, para si mesmo, que Khethlynn, apesar de não parecer ter capacidade de somar 2 + 2, tem as “noções de marketing” necessárias para o cargo.

O resto da história é parecido com o de muitas: namoro com um craque de futebol; depois com um pagodeiro; diversos cliques para “um grande portal de um conglomerado qualquer” e uma aparição no programa sensacionalista das tardes na TV. Tudo isso, em apenas duas semanas.

Depois disso, a “Mulher Catuaba” caiu no ostracismo, mas a mesma editoria de fofoca do “grande portal de um conglomerado qualquer” já apura seu próximo furo de reportagem: Khethlynn Jennyffer estaria estudando uma proposta para estrelar um filme pornô.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Hezbollah Hotline

Já falei, por aqui, que sou fã do jeito americano de fazer humor. E além do stand up comedy, abordado num post passado, uma das escolas que mais gosto é a do politicamente incorreto Saturday Night Live, que, ao longo de décadas, vem revelando nomes como Chevy Chase, Dan Aykroyd, John Belushi, Eddie Murphy, Mike Myers, Will Farrel, entre muitos outros.

Um dos nomes principais nomes saídos do humorístico é Adam Sandler, que vem fazendo uma carreira de sucesso no cinema, seguindo à risca o estilo ácido-pastelão-escatológico-politicamente incorreto do programa. Muitas vezes de gosto duvidoso para alguns, seu humor, na opinião deste humilde blogueiro, acerta em cheio na mão, principalmente quando ele brinca com clichês e estereótipos.

É o caso do filme Zohan, que assisti ontem, no qual Sandler - que além de protagonista é roterista e produtor do filme - vive um antiterrorista israelense, imune à dor, que, cansado de uma guerra sem fim contra os palestinos, finge a própria morte para fugir para os Estados Unidos e realizar seu sonho: ser cabeleireiro.

Pois um dos temas abordados é o telemarketing. Na cena, um motorista de táxi palestino - vivido por Rob Schneider, outra cria do Saturday Night Live e fiel escudeiro do astro principal em todos os seus filmes - descobre que Zohan está incógnito em Nova York e procura um jeito de neutralizá-lo e virar um heróis da causa palestina. Para isso, recorre ao hotline do Hezbollah:

Não tem jeito. Telemarketing, em qualquer lugar do mundo, tem a capacidade de tirar até terrorista do sério!