Como prometido, cá estou de volta, para o primeiro post da nova fase do "Senhor, estarei te irritando...". Mas, antes disso, cabe explicar o conceito desta nova linha editorial.
O "Senhor, estarei te irritando..." surgiu durante um almoço de família, em meados de junho de 2008. Enquanto conversávamos sobre telemarketing, percebi que todo mundo - mãe, irmão, esposa, primas e tia - tinha alguma história para contar. E todas terminavam em irritação. Veio, então, a expressão na minha cabeça, que virou o nome do blog. No dia seguinte, o primeiro post já estava no ar.
Ao longo dos meses, recebi dezenas de histórias, grande parte delas reproduzidas por aqui, e contei outras tantas vividas por este autor que vos fala - um auto-proclamado consumidor pentelho, sempre disposto a brigar por seus direitos até a última consequência. E acho que o objetivo foi atingido.
No entanto, apesar de duvidar muito que a nova regulamentação dos call centers tenha melhorado muita coisa, tenho recebido cada vez menos histórias e, com isso, os posts foram ficando mais escassos. Chegou a hora de mudar.
Após muito tempo apenas aguardando as histórias chegarem, a idéia, agora, é correr atrás dos temas, desencavar posts, que não serão, necessariamente, relatos de discussões entre consumidor e operador. Pretendo fazer entrevistas, comentários sobre o setor. Quem sabe as empresas de telemarketing não me contratam para fazer uma palestra para seus funcionários? Do tipo: "Saibam o porquê de vocês estarem nos irritando". Seria interessante!
Por isso, o "Senhor, estarei te irritando..." também está aberto a sugestões. Tem uma história para contar? Leu alguma coisa sobre call centers que gostaria de me recomendar? Conhece algum personagem interessante que eu poderia entrevistar? O e-mail continua o mesmo: raphaelfc@hotmail.com
Esclarecidas as mudanças, gostaria de comentar e indicar uma matéria publicada na Edição 262 (Fev/2009) da revista Super Interessante (veja imagem da capa), dica de meu amigo, colega de faculdade e jornalista do Jornal do Commercio Marcio Beck. Mais do que mostrar uma tendência surgida há algumas décadas nos EUA, que, atualmente, movimenta bilhões de dólares pelo mundo, a reportagem bate na mesma tecla do "Senhor, estarei te irritando...": de que telemarketing, apesar de gerar milhões de empregos e movimentar muita grana, só serve para nos causar irritação.
Ao mostrar alguns números e inovações da indústria dos call centers, Bruno Garattoni e Elis Magarotto, autores do texto, volta e meia dão um jeito de dizer - algumas vezes nas entrelinhas e em outras de forma direta - que os serviços de telemarketing estão se aperfeiçoando para nos irritar cada vez mais. Eles meio que dão uma espetada na indústria com um palito de dente, enquanto eu, pessoalmente, prefiro espetar com um tridente, uma lança ou uma espada.
De qualquer forma, a matéria faz jus ao nome da revista e vale a pena dar uma lida. Confira alguns dados revelados:
- No Brasil, há 750 mil operadores de telemarketing. Segundo a reportagem, é um número cinco vezes maior que o de caixas de supermercado;
(Nota do blogueiro: Esse impressionante efetivo transformado num exército com todos os números de telefone da Faixa de Gaza em mãos seria capaz de dizimar a paciência de todos os palestinos e judeus e acabar com os conflitos naquela região. Se bem que os objetivos das empresas de telemarketing, e das empresas que as contratam, é sempre o lucro. Eles só ligariam pela paz se o retorno financeiro fosse garantido)
- Cada operador faz e recebe, em média, 20 mil ligações por ano e, para isso, fica 1.300 horas no telefone;
(Nota do blogueiro: Dá uma média de 54 ligações por dia, levando-se em consideração os 365 dias do ano, e cerca de três horas e meia de ligações ininterruptas por dia. Sei não, acho que eles fazem muito mais do que isso!)
- No mundo, as empresas de telemarketing e call centers faturam US$ 900 bilhões anuais, o que significa 80% do que a economia brasileira produziu em 2007;
(Nota do blogueiro: Com quanto será que eu contribui para o crescimento dessa indústria? Certamente foi insignificante, mas, para mim, que já me irritei muito, parece que doei milhões de dólares para o telemarketing crescer desse jeito)
- No mundo, a indústria de telemarketing e call centers faz e recebe 24 bilhões de telefonemas por ano. É como se cada homem, mulher ou criança do planeta Terra falasse 3,6 vezes por ano com alguma central de vendas ou atendimento ao consumidor;
(Nota do blogueiro: Ah, eu certamente fico com a cota de muita criança que só sabe falar gu-gu-da-dá)
- O governo dos EUA criou o chamado "Do Not Call Registry", um registro nacional em que as pessoas podem cadastrar seus telefones para que não recebam nenhum tipo de ligação de telemarketing. São mais de 145 milhões de números cadastrados. Em São Paulo, a partir de abril, um cadastro similar poderá ser feito, através do site www.proconsp.gov.br.
(Nota do blogueiro: Vai, Serginho! Vai, Serginho! Para de dançar funk, governador! Siga os bons exemplos que estão a sua volta! Prometo tentar que os meus telefones sejam os primeiros da lista, caso ela seja adotada aqui no Rio de Janeiro)
2 comentários:
Fala, xará! Rapaz, será que este post inspira alguma pauta? http://www.butucaligada.com.br/2009/01/13/um-bom-atendimento-e-possivel/
Não fala exatamente de call centers, mas de atendimento. De um bom atendimento. Abraço!
Fala, cara! Eu acredito que bons atendimentos são possíveis.
E a história contada nesse post é muito bacana!
Vou aproveitar, sim.
Abração!
Postar um comentário