Mostrando postagens com marcador golpe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador golpe. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Cheiro de golpe

Uma leitora de longa data do "Senhor, estarei te irritando..." me mandou uma história próxima do inacreditável, que aconteceu com ela esta semana e me lembrou muito um caso passado por uma colega de escritório, a Aline, contada num dos primeiros posts do blog. Damine Guimarães, autora do blog Raiz Quadrada de 69, me relata que sua vida andava tão calma, ultimamente, que chegou a pensar que os atendentes tinham tomado jeito. "Doce ilusão", disse a leitora. "Eu até ia contar uma outra história, mas a que aconteceu essa semana superou todas", completou.

Damine não mora mais com seus pais há algum tempo. Mas, por comodidade e "talvez um pouco de preguiça", como confessa, manteve o endereço deles para algumas correspondências e recados, pois quase não fica em sua casa e os visita praticamente todos os dias.

Na terça-feira passada, ela havia acabado de entrar na casa dos pais quando o telefone tocou. Era uma "mocinha" ligando em nome da "Central Globo", que gostaria de "estar oferecendo" alguns "brindes":

- A senhora faz um excelente uso de seu cartão de crédito "tal" e, por isso, estará recebendo, inteiramente grátis, em seu endereço de correspondência, a assinatura das revistas Quem e Crescer, por um determinado período. Mas, para isso, preciso estar confirmando algumas informações.

Damine ficou muito desconfiada. Inicialmente, se irritou com o cartão de crédito e com seu banco, por seus dados terem chegado a uma editora sem sua autorização. Além disso, disse que "nunca iria fornecer informações a respeito do cartão de crédito por telefone", o que faz muito bem. E, ainda por cima, ela tem dois cartões de crédito em seu banco - de duas bandeiras diferentes -, mas não sabia de qual deles a atendente estava falando.

Diante de tanta desconfiança, Damine perguntou à "mocinha":

- Como eu posso ter certeza de você realmente está ligando da editora?

A atendente respondeu com dois números de telefone de São Paulo, para confirmação, e acrescentou que as assinaturas "inteiramente grátis", teriam uma taxa de entrega de R$ 25,00 mensais.

Nada interessada nas revistas, mesmo que fossem de graça, Damine disse que ligaria de volta, mas, na verdade, tinha planos de entrar em contato com um 0800 qualquer da editora, em vez do número fornecido pela atendente. Também pretendia ligar para o SAC de seu cartão, para perguntar como uma outra empresa sabia tantas informações suas.

Nos poucos minutos que se seguiram, enquanto pensava no que mais poderia fazer, o telefone tocou novamente. A pedido de Damine, sua irmã atendeu e informou que ela não estava. Foi a deixa para a atendente se alterar.

A "mocinha", insistentemente, afirmava que havia falado com Damine, enquanto a irmã, pacientemente, explicava que eu esteve, sim, por lá, mas que não morava mais na casa e havia ido embora.

Passados mais alguns minutos, ainda se falava do ocorrido, quando, mais uma vez, o telefone tocou. Seu pai, "mestre em conversar com telemarketing", não estava muito inspirado, mas atendeu e tentou explicar para a "mocinha" que Damine realmente estivera lá, mas que já havia ido embora. E a operadora insistia que tinha acabado de falar com ela.

- Sim, querida, eu sei que você falou com ela. Ela realmente esteve aqui. É minha filha e vem aqui na hora que quiser. Mas ela já foi. Eu não sei quando ela vai voltar, porque ela não mora mais aqui...

Ao fim da quinta explicação, a "mocinha" respondeu:

- Mas o senhor tem o QI muito baixo, viu!

E desligou o telefone.

"Ainda não sei se eu ligo ou não. Estou em estado de choque", disse Damine.

Liga, não, querida leitora. Não rende assunto. Você agiu bem ao desconfiar, pois isso está cheirando até a golpe. Não posso acreditar que uma operadora de telemarketing ativo, por mais pressão que possa sofrer para vender, tenha esse tipo de atitude. E ainda seja burra o suficiente para oferecer duas assinaturas de revistas "inteiramente grátis" por R$ 25 mensais.

De qualquer forma, se serve de consolo, saiba que você está concorrendo a uma camisa do "Senhor, estarei te irritando...".