sábado, 22 de novembro de 2008

Quem quer cartão de crédito?

No post passado, escrevi que o trabalho tem me tomado muito tempo, numa espécie de desculpa pela falta de atualização nos últimos dias. E prometi que um novo post sairia do forno ainda esta semana. Pois ao contrário do que fazem muitos operadores de telemarketing, com seus “vou estar verificando”, “vou estar resolvendo” ou “vou estar cadastrando”, que acabam não se concretizando, “vou estar postando” novamente. Agora! E ainda esta semana, pois falta poucos minutos para a semana acabar e, para o “Senhor, estarei te irritando...”, promessa é dívida.

A história me foi passada por Gaby, namorada de um xará meu, a quem conheci num show do Sepultura, anos atrás. Assim como eu, ela é cliente de um banco que se diz Completo, mas que, como qualquer outro banco, reza na cartilha do capitalismo, apesar de ser mais vermelho que o mais ferrenho dos comunistas.

Pessoalmente, não tenho muito do que reclamar desse banco, ao contrário de um outro. Sou correntista há anos e estou satisfeito. Mas Gaby não está.

Ela tem um cartão que é crédito e débito, ao mesmo tempo. A função crédito é habilitada de acordo com a vontade da cliente, bastando uma ligação para o “fone fácil”, que claro, logicamente, tem, pelo menos, umas sete opções antes de a voz de um ser humano finalmente ser ouvida.

Gaby queria comprar um produto de forma parcelada e, para isso, resolveu habilitar a função crédito de seu cartão. E assim foi feito. Automaticamente, começou a ser cobrada uma taxa mensal, relativa à anuidade! Por ter parcelado a compra em apenas dois meses, ligou no terceiro mês para cancelar o cartão de crédito:

- Boa tarde, senhora, em que posso estar lhe ajudando?
- Boa tarde, eu gostaria de cancelar meu cartão de credito.!
- Qual o motivo do cancelamento?
- Eu não quero pagar a anuidade.
- Ok, Senhora, vou estar transferindo a sua ligação para o setor de crédito.

Apõe alguns instantes protocolares de musiquinha chata, Gaby é atendida por um novo operador:

- Boa tarde, senhora, em que posso estar lhe ajudando?
- Boa tarde, gostaria de cancelar meu cartão de credito.
- Qual o motivo do cancelamento?
- Como eu já falei para seu colega que me atendeu antes, eu não quero pagar a anuidade!
- Ah... Ok, senhora, aguarde um instante.

* Silêncio *

- Desculpe a demora, senhora. Quais os últimos numeros do seu cartão?
- XXXX
- Correto, senhora. A senhora não gostaria de estar pagaando somente metade da anuidade?
- Não. Quero cancelar, por favor. Não quero pagar anuidade.
- Correto, senhora, só mais um instante.

* Silêncio *

- Desculpe mais uma vez pela demora. Gostaria de estar fazendo um acordo com a senhora. Nós cancelamos este cartão e enviamos outro, com a primeira anuidade gratuita.
- Tá bom, pode ser. Só cancela esse, por favor!
- A senhora pode escolher a data do vencimento e se o cartão é V. ou M.

- Quero V., com data de vencimento a cada dia cinco.
- Correto, Senhora. O cartão será mandado para sua residência. Algo mais?
- Sim! Eu recebi um cartão Gold, que não pedi, por sinal, e gostaria de saber se tenho que pagar alguma coisa e o porquê de esse cartão ter sido mandado.
- Um momento. Vou estar verificando.

* Mais silêncio *

- Senhora, me desculpe pela demora. Quais os quatro últimos numeros do cartão?
- XXXX
- Ok, um momento.

* Silêncio *

- Senhora, nenhuma taxa será cobrada em cima do cartão Gold que a senhora recebeu.
- Ok, obrigada!

E assim a ligação se encerrou.

Se você prestou atenção em todo o diálogo, caro leitor, verá que, em nenhum momento, Gaby pediu o desbloqueio do tal cartão Gold que recebera sem ter pedido. Um tempo depois, recebeu um novo cartão de crédito, este sim com envio autorizado. Em relação a este, sequer pesou em desbloquear; “E nem pretendo!”, afirma Gaby.

Mesmo assim, Gaby ficou com a pulga atrás da orelha e resolveu ligar novamente para o atendimento. Ao conversar com outra atendente, perguntou se aquele cartão havia sido cancelado. A operadora respondeu que sim e, estranhamente, perguntou:

- Senhora, o cartão está cancelado. A senhora possui outro cartão?
- Não!

E as verificações continuaram durante a ligação. Mais uma vez, a atendente perguntou se Gaby possuía outro cartão. Achando estranho, ela perguntou o porquê. E a operadora respondeu:

- Porque o cartão com final XXXX está habilitado, inclusive na função crédito.

Aqui, reproduzo, ipsis litteris, o que Gaby me escreveu no e-mail: “Aiiihhh, fiquei MUITO brava!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

Gaby disse que não havia pedido nenhum desbloqueio e já disse que queria cancelar o cartão que haviam habilitado sem a permissão dela.

- A senhora só poderá estar cancelando após o recebimento da primeira fatura.

A primeira fatura chegou e, antes do vencimento do dia 5 de novembro passado, Gaby ligou – não se lembra exatamente se foi dia 2 ou 3 – e pediu o cancelamento. Conseguiu, mas não sem se livrar da primeira parcela da anuidade.

Sem paciência, não ligou novamente para o tele-atendimento. Pelo que entendi, ficou com o prejuízo da primeira parcela da anuidade.

Minha cara, Gaby, não faça isso! Ligue! Não para o tele-atendimento, mas para o PROCON! Você foi roubada! Não sei o valor dessa parcela, mas mesmo que seja de R$ 1, corra atrás, exija seus direitos! Processe, se for necessário!

É mexendo no bolso das empresas que, talvez, a gente consiga educá-las para que não tentem levar vantagem em cima de nós, pobres consumidores.